saneamento basico

Quinze municípios do AP registram doenças por falta de saneamento básico, aponta pesquisa

Apenas 5,9% da população têm acesso à rede de coleta de esgoto. Todos os indicadores amapaenses estão abaixo da média nacional, diz CNI

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Amapá é o estado com o segundo pior saneamento do país, ficando atrás apenas de Rondônia. Dos 16 municípios, 15 registram doenças relacionadas à falta de estrutura básica, sendo as mais frequentes a diarreia, dengue, verminoses, malária, leptospirose e hepatite, adquiridas pela contaminação de água, alimentos ou picada de insetos.

Os números da pesquisa mostram que apenas 5,9% da população têm acesso à rede de coleta de esgoto. Todos os indicadores amapaenses relacionados à área de saneamento estão abaixo da média nacional (de pouco mais de 50%). Por isso, as metas de universalização não serão alcançadas em 2033, como estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico.

Para atender todo o estado, o governo do Amapá calcula que seria necessário investir R$ 1,5 bilhão em obras que levariam 30 anos pra serem concluídas. Em todo o Brasil, de acordo com os dados mais atuais, 52% da população têm acesso à coleta de esgoto e menos da metade do que é produzido recebe tratamento.

Ampliar média de recursos

Ainda segundo a CNI, para reverter esse quadro, o Brasil precisa ampliar a média anual de recursos nessa área dos atuais R$ 13,6 bilhões para R$ 21,6 bilhões. Ou seja, é preciso mais investimento em um setor que tem um gargalo histórico.

O levantamento também aponta que, entre 2014 e 2016, apenas R$ 24 milhões foram investidos no setor e, em 2017, nenhum recurso foi aportado. O valor equivale a R$ 30,44 investido por habitante, ou 16% da média nacional no período. A CNI considera que o saneamento básico precisa estar entre as prioridades do governo, como agenda tanto da área de infraestrutura como de saúde pública.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amapá tem cerca de 751 mil habitantes. Pelo estudo da CNI, apenas 35,9% da população têm acesso a abastecimento de água tratada, dependendo de poços para beber, lavar e cozinhar. O número é ainda mais preocupante em relação a coleta de esgoto, somente 5,9%.

A escassez de infraestrutura resulta em doenças. Além das mais frequentes, diarreia (ocorrências em 14 municípios), malária (em 14 cidades), dengue (em 12 municípios), verminoses (nos 15 municípios), leptospirose (em 5 municípios) e hepatite (em 4), o estado também registrou casos de cólera (em uma cidade), difteria (em uma cidade), zika (1), Chikungunya (1), tifo (1), febre amarela (em 4), entre outras. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais 2017 do IBGE.

Macapá

Em setembro deste ano, uma pesquisa divulgada pelo Instituto Trata Brasil indicou que na capital do Amapá, Macapá, um total de 110 mil pessoas (¼ da população) vivem em regiões alagadas, e de cada 10 habitantes, 9 não têm rede de esgoto. As análises foram divulgadas com dados consultados de 2016, os últimos publicados pelo Ministério das Cidades.

No Ranking do Saneamento Básico, que avalia as 100 maiores cidades do Brasil, Macapá aparece em 95º lugar entre as com os piores índices de saneamento. O cenário preocupante, segundo o estudo, se mantém por toda a Região Norte.

Fonte: G1

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