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Nova pesquisa do IBGE reforça relação entre saúde e saneamento básico

Um a cada três municípios relata ocorrência de epidemias ou endemias provocadas pela falta de saneamento básico

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira os dados coletados pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Munic, que nesta edição abordou os principais aspectos da gestão do saneamento básico nas 5.570 cidades do País. Segundo o levantamento, apenas 41,5% dos municípios brasileiros dispunham de um Plano Nacional de Saneamento Básico em 2017, e 38,2% tinham uma Política Municipal de Saneamento Básico.

Cachoeiro de Itapemirim está entre as cidades que dispõem de plano estruturado e investimentos para o setor. Até 2022, vai investir mais R$ 30 milhões em água e esgoto. O resultado da falta de planejamento se reflete na saúde: um em cada três municípios relata a ocorrência de epidemias ou endemias provocadas pela ausência de saneamento básico.

Doenças

Segundo o IBGE, a doença mais citada pelas prefeituras foi a dengue. Em 2017, 1501 municípios (26,9% do total) reportaram ocorrência de endemias ou epidemias de dengue.

Outras doenças com grande incidência, provocadas pela falta de saneamento, foram a diarreia (23,1%) e verminoses (17,2%). Esse dado vai ao encontro de outros estudos do setor. Segundo o Instituto Trata Brasil, cada R$ 1 investido em Saneamento gera uma economia de R$ 4 com gastos na área da saúde no Brasil.

“Essa pesquisa demonstra a importância de as cidades planejarem suas ações em busca da universalização do sistema”, afirma Bruno Ravaglia, diretor da BRK Ambiental em Cachoeiro de Itapemirim. O município, que completou em julho 20 anos da concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada, é um exemplo de como o planejamento faz a diferença na execução de projetos de saneamento básico.

Em 20 anos, a concessão investiu R$ 213,8 milhões para levar os serviços de água e esgoto a 71.823 imóveis de Cachoeiro. Em 1988, Cachoeiro contava com apenas 5% do esgoto tratado. Hoje, possui 98,40% do esgoto coletado, dos quais 98,15% são tratados. E mais: 99,60% da população é abastecida com água potável e o índice de perdas físicas passou de 56% para 13,51%, o que coloca a cidade entre os melhores índices do País.

A concessão investiu na modernização e ampliação dos Sistemas de Abastecimento de Água e Esgoto, inseriu novas tecnologias nos processos de trabalho, qualificou as equipes, construiu 233,73 quilômetros de malha de rede de distribuição e realizou melhorias em outros 15,45 quilômetros. Também foi responsável por 218,08 quilômetros de malha coletora construídas e melhorias em 20,65 quilômetros de rede coletora de esgoto, evitando o lançamento do material “in natura” no Rio Itapemirim.

Hoje, a Cachoeiro possui 11 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e nove Estações de Tratamento de Água (ETAs) totalmente automatizadas. Estas últimas com uma reservação de mais de 20 milhões de litros de água tratada para consumo, volume considerável para evitar desabastecimentos em períodos de estiagem.

“O grande objetivo do nosso trabalho é a universalização dos serviços de saneamento, com base no contrato de concessão vigente. Atualmente, estamos concentrando nossos esforços na modernização da infraestrutura e na ampliação dos serviços para além da região central de Cachoeiro de Itapemirim, compreendendo todos os distritos e os bairros mais afastados”, afirma Bruno Ravaglia.

Embora a situação ainda esteja longe do ideal, o estudo do IBGE mostrou alguns avanços no setor. Em 2011, apenas 10,9% das cidades brasileiras tinham Plano Municipal de Saneamento Básico contra os 41,5% atuais. As cidades da região Sul do País foram as que mais avançaram na elaboração dos planos municipais, saindo de 13,5% em 2011 para 72,9% em 2017 – o Nordeste tem o mais baixo, com 15,7%. Mais uma vez Cachoeiro se destaca como uma das primeiras cidades com o seu Plano Municipal de Saneamento Básico, aprovado no ano de 2011.

O Plano Nacional de Saneamento Básico estipulou o ano de 2033 como meta para que o serviço seja universalizado em todo o país. Porém, a redução de investimentos públicos na área pode estender esse prazo para além de 2050.

No início do ano, a BRK Ambiental anunciou um aporte de R$ 7 bilhões para os próximos cinco anos em suas operações, que incluem mais de 180 cidades espalhadas pelo Brasil. “Em Cachoeiro de Itapemirim, estamos cumprindo o que foi planejado. Iniciamos um novo ciclo de investimentos, que totalizará mais de R$ 30 milhões nos sistemas de água e esgoto até 2022, e esperamos que os frutos desse trabalho tenham impacto na saúde e na educação da população”, conclui Bruno Ravaglia.

Fonte: Folha Vitória

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