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Próxima parada: revolução biotecnológica

Nosso desenvolvimento econômico e social sempre se deu por meio de revoluções. Em todas elas a natureza foi prejudicada, ficando em situação pior que antes. Sem processos verdadeiramente sustentáveis, muitos dos ganhos alcançados pela humanidade podem ficar comprometidos. E em pouco tempo.

AUTOR: Luiz Chacon

A revolução agrícola, ocorrida 10 mil anos a. C., possibilitou a migração do sistema de caça e coleta para a agropecuária, em moldes semelhantes ao cultivo de alimentos que conhecemos hoje.

Há três séculos, foi a vez da industrial, que mudou por completo os processos produtivos, tornando os bens de consumo mais acessíveis. Mais recentemente vivenciamos a revolução digital, que proporcionou maior interatividade e acesso a informações, potencializando a globalização. Além de promover diversas melhorias econômicas, produtivas e sociais, essas revoluções possuem algo em comum. Todos os elos da cadeia foram bem remunerados, com exceção do meio ambiente, que o passar dos anos foi continuamente degradado.

Por incrível que pareça, a resposta para “corrigir” esse problema é uma nova revolução: a biotecnológica, que consiste em utilizar a inteligência da própria natureza. Ela consiste em substituir os atuais processos produtivos por meio da seleção de microrganismos vivos, não nocivos à fauna e à flora, e encontrados de maneira espontânea na natureza.

Como isso é possível? Com pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Existe uma série de “bactérias do bem” que podem suprir, com igual ou maior eficácia, qualquer tipo de produção desenvolvida hoje no mundo. Para cada processo produtivo existente é possível desenvolver em laboratório uma combinação de microrganismos que podem fazer a mesma atividade, com a vantagem de não prejudicar ou até mesmo trazer ganhos ao ecossistema, além de diminuir o tempo gasto para a realização de determinadas atividades, evitar o uso de componentes químicos, simplesmente aumentar a produtividade de colheitas de alimentos, dentre outros benefícios. Tudo isso com uma relação custo-benefício mais vantajosa.

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Eliminação de resíduos

Outra utilidade prática é a eliminação de resíduos. Muitas bactérias têm o poder de consumir o todo material de origem orgânica indesejado, de maneira muito mais rápida do que os modos convencionais e sem necessidade de prejudicar o ambiente. São bactérias que transformam resíduos em água e gás carbônico, ainda que eles tenham sido eles gerados como resultado de processos produtivos. É uma autorremediação literal da natureza, que pode ser facilmente usada na despoluição das águas ou de solo contaminado, ou no tratamento de efluentes.

Microrganismos podem reduzir e 21 para 7,5 toneladas a quantidade de material orgânico em lagoas de efluentes da indústria de papel e celulose, eliminar por completo os detritos das caixas de gordura dos restaurantes, abolindo a necessidade constante de limpeza, enviando a água previamente tratada para o sistema de esgoto e até acabar com os resíduos que ficam nas máquinas e tubulações de fábricas, evitando paralisações e perdas de produtividade.

A revolução da biotecnologia cresce a cada ano e é um grande investimento para o futuro. Fazer parte desse movimento, hoje, ainda pode soar como algo facultativo. Em pouquíssimo tempo, não haverá outra opção. Mais do que uma exigência do mercado, priorizar a sustentabilidade será uma necessidade do planeta, e não apenas para manter-se competitivo – afinal, esse é o menor dos problemas. Sem a substituição dos processos produtivos atuais, o planeta não terá condições para suprir a demanda contínua por recursos – alguns deles, já escassos. A prosperidade para as próximas gerações passa, necessariamente, pela biotecnologia. Para o bem de todos. Quanto antes isso se tornar uma prática comum e básica de toda a cadeia, mais rápidas e maiores serão as vantagens. Para todos.

*Luiz Chacon é CEO da Superbac, empresa de soluções em biotecnologia

Fonte: Istoé Dinheiro.

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