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Mercado desistiu ou esqueceu do “risco racionamento”, questionam Sabesp e elétricas

Um dos maiores medos criados no Brasil recentemente parece estar ficando para trás, ou pelo menos é o que os investidores estão mostrando. Se por meses o risco de um racionamento de energia e de água atormentou a vida de muitas pessoas, com as chuvas das últimas semanas, as ações das companhias elétricas e de saneamento básico passaram a subir forte na Bovespa. Mas isso não significa que as coisas melhoraram.
Apesar do otimismo, a equipe do BTG Pactual, liderada por Antonio Junqueira, destaca que nem todo mundo pode ficar aliviado. Segundo relatório, o ônus do uso prolongado das usinas térmicas é muito pior do que enfrentar um racionamento de 12 meses – o que poderia abastecer os reservatórios muito mais rápido.

Mas não é porque as chuvas voltaram que o momento é de se animar. Para os analistas do banco, o momento é de se afastar das companhias geradoras e procurar investimento no segmento de distribuição – que tem o melhor risco/retorno do setor, segundo o BTG -, com recomendação de compra Equatorial, Energias do Brasil, CPFL e Eletropaulo.

Entre as companhias elétricas, apenas a Transmissão Paulista (TRPL4) não tem ganhos expressivos no acumulado dos últimos 30 dias, com leve valorização de 0,42%, a R$ 40,92. Entre as maiores altas no período, destaque para a Energias do Brasil (ENBR3), que já subiu 18,91%, a R$ 10,25, além da Eletrobras (ELET3, R$ 6,07, +19,96%;ELET6, R$ 7,83, +19,72%), Equatorial (EQTL3, R$ 30,47, +18,75%), Tractebel (TBLE3), R$ 35,82, +14,40%) e Eletropaulo (ELPL4), R$ 9,29, +11,26%).

No setor de saneamento não é diferente, e a Sabesp (SBSP3), que continua vendo os reservatórios se encherem cada dia mais, segue com fortes altas diante da expectativa que esse aumento das chuvas ajude a trazer resultados melhores nos próximos trimestres. As ações da companhia acumulam ganhos de 14,92% nos últimos 30 dias, revertendo as perdas do ano, que agora chega a uma alta de 8,70%, com os papéis a R$ 18,49. Já a Copasa (CSMG3), já subiu 9,70% no último mês, cotada a R$ 18,63.

A grande pergunta para o BTG é quem vai pagar a conta para ajudar as distribuidoras. Os analistas lembram os esforços do governo em criar uma alternativa para essas companhias e que a ideia que mais ganhou força foi a de redução dos custos de GSF (fator que mede o volume de energia gerado pelas hidrelétricas). Mas mesmo assim, o problema continua sendo de onde virá o dinheiro.

“O Tesouro não tem dinheiro para isso, enquanto os consumidores viram um aumento tarifário relevante em suas faturas mensais. A intenção do governo é positiva, mas os problemas operacionais para os geradores hidrelétricos continuam”, afirmam os analistas. Para o BTG, os pontos negativos de um cenário onde não ocorre racionamento superam os aspectos positivos sobre a discussão da ajuda às geradoras em relação ao GSF.

 

Fonte: Info Money

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