saneamento basico

Pezão sobre transposição do Paraíba do Sul: ‘não vou fazer do estado uma trincheira para briga’

RIO — O governador Luiz Fernando Pezão voltou a adotar um tom conciliador sobre a decisão que está para ser tomada pela Agência Nacional de Águas (ANA) em torno da possível transposição de parte da vazão do rio Paraíba do Sul para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo. Pezão falou sobre o assunto após a cerimônia de formatura de 98 peritos criminais na Cidade da Polícia, no Jacaré, na Zona Norte. Ele disse que o “espírito é de conciliação” e que não fará do estado “uma trincheira para briga”. Pezão afirmou ainda acreditar que “nenhuma autoridade tomará decisão que prejudique o Rio”.

— O Rio Paraíba do Sul segue normas federais. Quem legisla sobre ele é o governo federal. Sempre tive da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) a garantia de que o Estado do Rio não será prejudicado. Tem que confiar em que regula e legisla sobre esse rio. O ministro Luiz Fux (do Supremo Tribunal Federal) fará uma reunião de trabalho com os governos do Rio, Minas e São Paulo no dia 20. O tom sempre será esse. Não vou fazer do estado uma trincheira para briga. Sempre falei que o espírito é de conciliação — afirmou o governador.

Pezão negou que esteja assumindo uma posição mais aberta sobre o assunto em relação a seu antecessor, Sérgio Cabral, que, no início do ano, chegou a dizer que o estado não aceitaria nenhuma medida que afetasse o abastecimento do Rio:

— Não dei declarações diferentes do governador (Cabral). Em abril, ele ainda não tinha o problema que está afetando todo o país, que é a seca. O tom sempre foi esse.

O governador afirmou que é momento “de ter calma e tranquilidade e de torcer para que chova nos lugares certos”:

— A Cedae garante que dá para abastecer (o Rio), e estamos começando os períodos das chuvas.

Segundo o governador, cidades do Norte e Noroeste Fluminense já enfrentam problemas por conta da estiagem. O estado, disse, já tem oferecido ajuda aos prefeitos da área. E acrescentou que a situação “sempre guarda apreensão”, mas reforçou que a hora é discutir com tranquilidade.

— Fui a São Fidélis e está tudo muito seco. Em Itaperuna também. Em muitos lugares, há problema. Alguns prefeitos já decretaram estado de emergência, e rebanhos perderam cabeças de gado. Essa é uma das maiores secas da História, mas temos que ver como vai ficar isso com tranquilidade. Está começando a chover.

CEDAE DEFENDE ‘PARECER TÉCNICO’

O presidente da Cedae, Wagner Victer, disse que qualquer deliberação da Agência Nacional de Águas (ANA) deverá ser baseada em laudos técnicos e na decisão dos comitês de bacias, passando por todos os estados interessados. Caso contrário, não haveria “coerência técnica” para colocar em prática a transposição. Victer ressaltou que a decisão não deve ser tomada por paixões políticas:

— A Agência Nacional de Águas é o fórum soberano, mas tem que ser subsidiado em decisão técnica, não política e nem de paixão. Se você não tiver respaldo técnico, pega o problema de um lugar e transfere para outro. E isso não teria coerência técnica.

Sobre a declaração do diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, de que é tecnicamente viável fazer a transposição do Paraíba do Sul, o presidente da Cedae disse que, por enquanto, essa ainda é apenas uma opinião pessoal de Andreu.

— O que o presidente da agência fez é uma opinião dele, que terá que ser subsidiada em estudos e convencer os técnicos. Até porque, diante de um problema, o responsável perante o Ministério Público será quem assumir a responsabilidade pelos estudos — acrescentou Victer.

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/pezao-sobre-transposicao-do-paraiba-do-sul-nao-vou-fazer-do-estado-uma-trincheira-para-briga-14485099#ixzz3IKrvhunY

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »