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‘Robozinho espião’ inspeciona dutos de esgoto da Grande SP

No monitor, surgem algumas baratas. Mais um toque no joystick e aparecem algumas pedras pelo caminho. A imagem dá um pulo. Agora, é uma água suja que aparece embaixo. Na parte de cima do visor algo que parece palha seca está pendurado.

“Olha. Limpamos isso há pouco mais de um ano, mas as raízes das árvores voltaram a entrar no coletor”, surpreende-se Jaime Tsai, técnico em sistemas de saneamento da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo.

A um custo de R$ 1,7 milhão, a estatal paulista comprou de uma empresa norte-americana um robô para percorrer os dutos de esgoto da Grande SP. No custo, está incluído um furgão com a sala de operações do aparelho.

O equipamento, uma miniatura do que pode até lembrar o Curiosity, jipinho da Nasa que percorreu o solo marciano, pesa por volta de 20 quilos e, segundo o fabricante tem mais de 30 centímetros de comprimento. Ele já mapeou milhares de metros dos dutos de esgoto de São Paulo.

Na quinta-feira (14), a reportagem acompanhou a máquina em ação em um duto de esgoto ao lado da raia olímpica, dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista.

O grande objetivo do robô, o que justifica o investimento, segundo a empresa, é usá-lo no recebimento de obras.

A vistoria que ele faz em alta definição, por causa de câmera inserida na máquina, permite saber, por exemplo, se aquele trecho subterrâneo de esgoto que acaba de ser feito por determinada empreiteira está realmente em condições de uso.

O robô já flagrou trincas ou dutos deslocados pelo tráfego, por exemplo, o que obrigou os responsáveis pela obra a consertá-la, já que ela ainda estava na garantia.

INVESTIMENTO

De acordo com a Sabesp, o investimento em tecnologia, como a do robô que espia dutos, tem um retorno importante no médio prazo.

As vistorias periódicas fazem com que a vida útil dos canos, que vai de 50 a 100 anos, não seja abreviada. Os custos com reparos e grandes manutenções caem.

De acordo com as especificações do fabricante, o tratorzinho de esgoto pode ser enfiado em dutos com diâmetros que vão de 20 centímetros a 2,8 metros.

Dependendo do tamanho de onde a máquina vai ser enfiada muda-se o jogo de pneus e o chassi. É quase como brincar com um carrinho de controle remoto.

Desde o furgão de onde o robô é manipulado estende-se um cabo eletrônico que tem 250 metros de comprimento. Por meio do programa de computador que existe no sistema, é possível fazer um relatório imediato dos variados obstáculos achados pelo caminho.

Em quase um ano de uso, a máquina perdeu para o homem uma única vez, segundo Tsai. O robô bateu em uma pedra, virou e parou de funcionar. Um funcionário da empresa teve que entrar no ambiente confinado, o que requer técnica, para pescar o aparelho de dentro do esgoto.

Ao final do trabalho, o robô recebe um banho, dado com uma mangueira que só dispara água potável. Depois, é aplicado um desinfetante no tratorzinho, que, afinal, acabou de voltar de um mergulho pelo esgoto da cidade de São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo

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