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Curitiba usa plantas para criar estação de esgoto 'lixo zero'

Curitiba usa plantas para criar estação de esgoto ‘lixo zero’

O sistema, que a COP30 apresentou, cobre uma área de 25 mil metros quadrados. Além disso, o projeto tem como meta ter uma das maiores “wetlands” do mundo. Essas áreas transformam resíduos humanos em recurso sustentável.

Curitiba Transformar em “lixo zero” um setor que gera volumes imensos de resíduo. Em Curitiba, uma usina de tratamento de esgoto que usa soluções ecológicas está sendo ampliada com a meta de se tornar uma das maiores do mundo em número de pessoas atendidas.

A fórmula adotada na capital do Paraná foi o plantio de mudas de cana-doreino. Além disso, a planta digere a parte sólida do esgoto tratado, chamado de lodo.

Na prática, a Estação de Tratamento de Esgoto CIC Xisto, no bairro Tatuquara, atende a bacia do rio Barigui. E, quando atingir sua capacidade máxima, alcançará 778 mil pessoas.

“Hoje, a estação recebe 10 toneladas de lodo por dia, numa área que representa quase metade de Curitiba”, explica o coordenador de obras da Sanepar, Murilo Cunico.

A empresa de economia mista, com capital aberto na B3, é a responsável pela estação de tratamento. O Fundo Clima financiou o sistema utilizado. Além disso, a COP30 (Conferência Mundial do Clima), em Belém, convidou o projeto para se apresentar.

Curitiba usa plantas para criar estação de esgoto ‘lixo zero’

O plantio das mudas está em andamento e vai cobrir uma área de 25 mil metros quadrados, o equivalente a 3,5 campos de futebol, com 110 mil mudas da planta.

A vantagem é tornar o material “lixo zero”. Além disso, nada é enviado para aterros sanitários. A parte líquida é tratada e retorna ao leito do rio.

Enquanto isso, a parte sólida (ou lodo) é 98% decomposta por bactérias. E, em seguida, é absorvida pelas plantas.

Cunico explica que uma estação de tratamento funciona de forma básica em duas etapas. Primeiro, ocorre a fase líquida, quando o sistema transforma o esgoto. Em seguida, ocorre a fase sólida. A fase líquida, diz, é a grande massa que muitas vezes se vê poluindo rios.

“Aqui a gente trata, clarifica, deixa próprio para lançamento e devolve ao rio.”

No projeto inicial da ampliação, era necessária uma área muito maior para o tratamento do esgoto. A compactação do sistema foi possível graças a outra mudança no primeiro estágio do processo.

É a fase líquida, em que dispositivos chamados “mídias plásticas”, semelhantes aos bobs de cabelo, servem de criadouro para amplificar a atuação das bactérias que se alimentam dos dejetos.

Já a fase sólida é o lodo resultante do tratamento, que cada vez mais é visto como um recurso ativo. Para tratá-lo, a escolha da planta cana-do-reino, uma macrófita aquática, explica-se por ser uma planta com bastante apetite para decompor o lodo.

“Ela vai consumindo todo ele, porque o que tem no lodo? Tudo de que a planta precisa: nutrientes, nitrogênio, fósforo. Ela vai se autossustentando com aquilo, que serve de alimento. É como uma fertilização constante, e por isso elas crescem tanto”, diz o coordenador.

Por baixo das mudas, passa um sistema de tubulação que transporta diariamente mais lodo, por meio de válvulas e pequenos chafarizes que borrifam o material que vai alimentar as plantas.

Enquanto isso, o sistema drena o líquido e o devolve ao processo de tratamento. Além disso, as raízes da planta retêm o lodo, que passa a alimentá-la.

JARDINS DE MINERALIZAÇÃO

Apesar de as “wetlands” como solução para o tratamento do esgoto existirem há 40 anos, com destaque para o amplo uso na França.

No Brasil, os pesquisadores criaram as primeiras há 25 anos. Além disso, elas hoje ganham mais atenção devido à necessidade de aumentar a eficiência na gestão de resíduos e na geração de energia.

Isso ocorre em oposição à queima ou à secagem do resíduo sólido dos dejetos.

Outro ponto a favor do sistema adotado, também chamado de jardins de mineralização, é a eficiência energética.

“Do ponto de vista de implantação e do ponto de vista operacional, jogar o esgoto para um lado e para o outro gasta muita energia”, diz Cunico. “Mas se você reduz tudo isso, economiza energia e ganha eficiência, com maior proteção ambiental.”

Após o crescimento máximo das plantas, previsto para daqui a sete anos, elas serão cortadas para dar lugar a uma nova plantação. Os arbustos cortados gerarão um novo resíduo, que na verdade é mais um recurso: uma massa volumosa de matéria orgânica.

“Ela tem potencial energético ao se colocar em câmaras de biodigestão ou fazer a compostagem, podendo gerar fertilizante orgânico”, afirma o coordenador da obra.

Fonte: Folha


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