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Sabesp vai investir R$ 9,7 bilhões para lidar com perdas e roubos de água

Sabesp vai investir R$ 9,7 bilhões para lidar com perdas e roubos de água

Hoje, 29,4% da água da companhia se perde pelo caminho, gerando prejuízo milionário e impacto no bolso do consumidor, que acaba pagando a conta

De toda a água fornecida pela Sabesp, 19% é perdida em vazamentos nas tubulações, e cerca de 10% é desviada por meio de furtos e fraudes. Só em 2025, a companhia registrou 52.537 casos de ligações clandestinas, adulteração de hidrômetros e outras irregularidades. Parte desse prejuízo é repassada às tarifas pagas pelos clientes.

Para reduzir perdas, combater fraudes no sistema e driblar este cenário, a Sabesp planeja investir R$ 9,7 bilhões até 2029. A empresa afirma que, desde a desestatização, em 2024, cerca de R$ 1 bilhão já foi investido em obras de tubulação, inovações tecnológicas, reparo de vazamentos, combate a fraudes e regularização de áreas informais.

Deste montante, R$ 7 bilhões serão gastos com ferramentas para coibir os crimes envolvendo o desvio de água.

“Cerca de R$ 4 bilhões estão sendo investidos em um projeto de implementação de medição inteligente em São Paulo e São José dos Campos”, diz Luiz Fraga Rios, diretor de combate a fraudes da Sabesp. Segundo Rios, a modernização e a troca de hidrômetros defeituosos permitem identificar fraudes durante o processo de distribuição de água.

A empresa também estruturou um centro de inteligência para monitorar a base de clientes e identificar inconsistências no faturamento. Na prática, mudanças bruscas de consumo ou outros alertas servem de indício para justificar operações.

Batizada de Operação Gato Molhado, a fiscalização conduzida pela Sabesp para combater furtos e fraudes no sistema de abastecimento, realizou 212.470 inspeções em 2025, com quase um quarto resultando em autuações.

A empresa afirma que o volume de água recuperado no ano chegou a 2,96 bilhões de litros, o suficiente para abastecer cerca de 646 mil habitantes por um mês.

As visitas aos endereços apontados com atividades suspeitas são realizadas pela própria Sabesp, em conjunto com a Polícia Civil. “Pode ser, por exemplo, a perfuração do hidrômetro para travar o mecanismo de registro. Aí uma parcela do volume de água passa por um caminho alternativo, não sendo contabilizado pelo sistema”, comenta o executivo.

Os custos financeiros dessas perdas, segundo ele, tendem a ser absorvidos pelos clientes adimplentes da Sabesp. “Existe um limite contratual para perdas na Sabesp e quando ele é ultrapassado, o valor é rateado entre os consumidores. Isto está previsto no contrato de concessão e varia de acordo com o município“, explica Rios.

“Como o fraudador não paga pelo que consome, ele tende a não utilizar água de forma racional”, complementa.

As pessoas flagradas pela Sabesp precisam pagar retroativamente pelo consumo durante o período de irregularidade, além de arcar com uma multa e os custos de danos aos equipamentos de medição, caso tenham sido violados. O roubo de água é enquadrado no Artigo 155 do Código Penal, que prevê pena de até quatro anos em regime de reclusão.

Maiores fraudadores

De acordo com a Sabesp, foram identificadas 47.328 irregularidades só em imóveis residenciais em 2025. É o segmento com mais fraudes, mas não o mais custoso.

Comércio e indústria, somados, geraram mais de R$ 56 milhões de prejuízo para a companhia no último ano. O segmento residencial causou um prejuízo de R$ 36 milhões.

No comércio, com 4.761 irregularidades constatadas, os flagrantes aconteceram especialmente em academias, restaurantes, bares e lava-rápidos. Já na indústria, com 442 irregularidades identificadas, obras da construção civil e outros ramos industriais aparecem como setores com maior risco de irregularidades e impacto direto no abastecimento.

“Para muitos ramos de atividade, a água é um insumo essencial, que impacta diretamente o preço final dos produtos ou serviços prestados. Ao fraudar o medidor ou criar um desvio, essas empresas buscam reduzir suas despesas operacionais de forma ilícita”, explica Reis. “O uso das fraudes promove uma concorrência desleal, já que o estabelecimento que não paga pela água consegue margens que seus clientes honestos não possuem”.

Fonte: Estadão


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