O saneamento brasileiro precisa de bilhões em investimentos para avançar rumo à universalização. Mas, diante de juros elevados, maior endividamento e novas incertezas regulatórias e tributárias, uma pergunta se torna cada vez mais importante: quem vai financiar a segunda metade desse caminho?
No artigo “De sete licitantes a leilão deserto: para onde foi o capital do saneamento?”, os autores Rodrigo Santos Hosken e Mayná Coutinho Morais analisam as transformações no financiamento do saneamento brasileiro entre 2020 e 2026.
A partir de dados sobre leilões, balanços das principais operadoras, custo de capital, dívida pública e Reforma Tributária, o estudo mostra como o cenário que favoreceu a primeira onda de concessões mudou. A Selic, que chegou a 2% ao ano em 2020, alcançou 15% e está em 14% em agosto de 2026.
Os efeitos dessa mudança já aparecem nos certames. Projetos que antes despertavam forte concorrência passaram a registrar disputas com um único interessado ou até mesmo ausência de propostas. A PPP da Saneago, por exemplo, foi cancelada após dois blocos não receberem propostas e a única proponente do terceiro bloco ser inabilitada. No Ceará, quatro dos cinco blocos de uma PPP de esgotamento sanitário não tiveram interessados.
Mas o estudo mostra que o capital não desapareceu do saneamento. Ele se tornou mais seletivo. E passou a buscar diferentes portas de entrada, como aquisições, privatizações, mercado acionário e projetos com menor exposição a determinados riscos.
Mais do que discutir a ausência de investidores. O artigo propõe uma reflexão sobre como estruturar projetos capazes de atrair capital em um ambiente econômico completamente diferente daquele observado no início da década. Nesse cenário, o desenho dos contratos, a distribuição de riscos, a segurança regulatória e a capacidade financeira dos projetos ganham ainda mais importância.
A discussão é especialmente relevante diante do prazo de 2033. O setor terá de executar um dos maiores ciclos de investimentos de sua história. Isso ocorrerá em um período marcado por capital mais caro, balanços pressionados e uma transição tributária ainda em curso.
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A análise apresenta dados, casos e caminhos para compreender uma questão que será decisiva para o futuro do saneamento brasileiro. Como o Brasil vai conseguir financiar os investimentos necessários para universalizar o saneamento até 2033?
Escritores:
RODRIGO SANTOS HOSKEN – Advogado pós-graduado em direito tributário pela Universidade Cândido Mendes. Sócio fundador do Hosken Geraldino Advogados (HGA) e advogado da Caixa Econômica Federal. Já atuou como vice-presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Rio de Janeiro (CERHI-RJ) (gestão 2021-2023), representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES/RJ) na diretoria colegiada do Comitê da Bacia Hidrográfica dos rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim (Comitê Guandu/RJ) (gestão 2021-2023), e também como presidente da Comissão de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Gás Encanado da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ). É associado da ABES/RJ e atualmente Diretor.
