saneamento basico

Panorama da participação privada no saneamento 2020

Resumo

A relação entre saneamento e saúde é direta. Quanto maior a oferta dos serviços básicos de água, coleta e tratamento de esgoto, mais saúde e bem-estar público.

Água suja e esgoto sem tratamento são sinônimos de doenças, algumas delas praticamente erradicadas em países que já alcançaram a universalização dos serviços de saneamento. Quanto menor o índice de oferta desses serviços, maior o risco à saúde e a incidência de enfermidades de veiculação hídrica. E essa relação pode ser comprovada com as filas do Sistema Único de Saúde (SUS) se avolumando por doenças e epidemias ligadas à falta de saneamento, como a dengue, a zika e a chikungunya. Mesmo quem possui água em casa pode ser afetado pelas condições precárias de atendimento. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, 47% dos brasileiros estão nessa situação.

Esse quadro é ainda mais preocupante em situações de pandemia, como observado no caso da COVID-19, em que leitos são ocupados por pessoas com enfermidades que poderiam ser significativamente reduzidas caso houvesse uma expansão, com qualidade, dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Em setembro do ano passado, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovou a relação entre a má qualidade do saneamento básico (proliferação de bactérias que causariam a liberação de saxitoxina) com a elevada incidência de microcefalia no Nordeste. O estudo revelou que a ausência de serviços adequados aumenta a vulnerabilidade da saúde da população.

No limite, enquanto se discute as regulamentações do novo marco legal para o setor, pessoas estão morrendo em função da falta desse serviço. O déficit acarreta óbitos e os que mais sofrem são as crianças, mulheres e a população de baixa renda.

Em 2020, mais de cem anos após as primeiras campanhas populares em prol do saneamento no país, grande parte dos brasileiros ainda está sujeita a condições deploráveis.

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