saneamento basico

Os tropeços do novo governo Lula no Saneamento

A notícia da desidratação da Agência Nacional de Água caiu como uma bomba. Afinal, representa um possível retrocesso nos avanços que o Marco do Saneamento trouxe. Assim como representa os tropeços do novo governo Lula no Saneamento. Empresários do setor enxergaram com preocupação as mudanças, alertando sobre a insegurança jurídica causada e por consequência, afetando investimentos futuros no setor.

Prezado leitor, antes de começar a coluna dessa semana gostaríamos de desejar um excelente 2023. Que esse seja um ano de muito crescimento, paz e sucesso para todos, que possamos percorrer todo esse ano juntos aqui na Coluna do Saneamento.

Bem, sem mais delongas vamos a coluna dessa semana: Os tropeços do novo governo Lula no Saneamento

No dia 01/01/2023, foi dada posse ao novo governo Lula, para exercer o poder Executivo nacional pela terceira vez na história. Em um dos seus primeiros atos a frente do poder executivo sancionou a medida provisória (MP) nº 1154/2023 que definiu as atribuições dos novos ministérios e que impactam diretamente a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), que agora será denominada, segundo a própria MP, Agência Nacional de Águas. Dentro da MP a ANA seria atribuída a dois ministérios, sendo eles o Meio Ambiente e o da Cidade, e perderia sua atribuição como órgão que edita normas que versam sobre o segmento de água, esgoto e resíduos, o que contraria o Novo Marco do Saneamento (Lei 14.026/2020).

LEIA MAIS ARTIGOS DE COLUNISTAS

Após a pressão do mercado o novo governo se manifestou afirmando que irá rever a MP. Em entrevista ao Globo News Mais, a secretária-executiva da Casa Civil Miriam Belchior afirmou que a ANA irá para a pasta do Meio Ambiente, contudo o órgão irá manter sua competência para a regulação do saneamento, afirmando ainda que o novo marco legal do saneamento deve sofrer ajustes, reforçando a importância do diálogo que deve existir entre todo o setor.

Enfim, o atual Ministro da Casa Civil Rui Costa também se manifestou em entrevista que concedeu a Valor Econômico. Afirmou o Ministro que, em sua opinião, realmente a ANA não deveria ter atribuição de fazer diretrizes sobre o saneamento, ainda reforçando que ajustes no novo marco legal do saneamento devem ocorrer com o intuito de ampliar a possibilidade de investimentos. O ministro reforçou ainda que qualquer mudança será amplamente debatida com todo o setor e que o foco é fugir de dogmas.

Entende-se que qualquer movimentação que busque ampliar a possibilidade de investimento no setor de saneamento deve ser vista com os melhores olhos possíveis, contudo não podemos esquecer a importância da observância das regras impostas pelo novo marco legal do saneamento, que devem ser seguidas, evitando situações como as geradas pela medida provisória nº 1154/2023, que apenas vem para gerar insegurança jurídica e por consequência, insegurança daqueles que gostariam de investir no setor.

Por fim, lembramos que durante o governo do ex-Presidente, Michel Temer, foram editadas duas medidas provisórias (MPs 848 e 866), as quais caducaram por falta de condições políticas de se chegar a um acordo.

O setor de saneamento historicamente é muito complexo, pois envolve interesses de Municípios, Estados. Inclusive agora da União, além de uma maior participação privada, por não receberem de forma positiva mudanças por instrumentos legais provisórios através desse setor. Visto que ainda tem muito a avançar na próxima década para atingir a universalização.

colunista

O colunista Rodrigo Hosken é advogado sanitarista

-Coordenador Técnico da Câmara Técnica de Governança Corporativa e Jurídica da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES)

-Membro Consultor da Comissão Especial de Saneamento Básico e Recursos Hídricos do Conselho Federal da OAB

-Membro da Comissão Especial de Saneamento, Recurso Hídricos e Gás Encanado OAB/RJ

-Pós-graduado em Direito Tributário.

Referências

 https://www.gazetadopovo.com.br/economia/revogaco-de-lula-pode-atingir-decretos-que-regulamentam-marco-do-saneamento/

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/01/03/depois-de-reacao-do-mercado-governo-vai-rever-mp-que-tirava-regulacao-de-saneamento-da-ana.ghtml

https://valor.globo.com/impresso/noticia/2023/01/06/queremos-fugir-de-dogmas-na-economia-diz-rui-costa.ghtml

Últimas Notícias:
Novas tecnologias ampliam tratamento de esgoto em estação que atende moradores das zonas norte e leste de São Paulo

Novas tecnologias ampliam tratamento de esgoto em estação que atende moradores das zonas norte e leste de São Paulo

São Paulo, 11 de junho de 2026 – A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na capital paulista. Passa por um “upgrade tecnológico” que contribuirá com a ampliação do tratamento em 148% – de 2,5 milhões para 6,2 milhões de litros por segundo. Com novos equipamentos e processos, a ETE, inaugurada há 28 anos, poderá crescer sem aumentar a área de 190 mil metros quadrados que ocupa na zona norte de São Paulo, uma das mais adensadas da capital.

Leia mais »
Estudo aponta que Holambra acumulou R$ 278 milhões em ganhos socioeconômicos com avanços no saneamento

Estudo aponta que Holambra acumulou R$ 278 milhões em ganhos socioeconômicos com avanços no saneamento

Levantamento do Instituto Trata Brasil detalha os impactos positivos na saúde, no turismo e na valorização imobiliária do município. A expansão da infraestrutura de saneamento básico em Holambra (SP) gerou um impacto positivo de R$ 278 milhões para o município entre 2013 e 2024. Os dados são do novo estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento em Holambra”.

Leia mais »
Estudos de tratabilidade a importância da avaliação técnica na definição de rotas de tratamento e desaguamento de lodos SBV Engenharia Ambiental

Estudos de tratabilidade: a importância da avaliação técnica na definição de rotas de tratamento e desaguamento de lodos | SBV Engenharia Ambiental

A gestão de lodos constitui um dos principais desafios operacionais enfrentados por indústrias e sistemas de saneamento. Embora frequentemente tratada como uma etapa secundária dentro do processo de tratamento de efluentes, a geração, o manejo e a destinação desses resíduos representam parcela significativa dos custos operacionais de uma unidade, além de influenciarem diretamente sua eficiência ambiental e sua conformidade regulatória.

Leia mais »