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Pirapora, a ELETROBRAS e o Saneamento

Por: Eng. Álvaro Menezes, vice-presidente da ABES

No dia 23 de abril passado, a jornalista especial do Estado de São Paulo Alexa Salomão, postou em www.estadao.com.br um texto retratando a gravidade da situação do setor elétrico e a falta de água generalizada que a sua ineficiência gerencial já provoca e agravará, principalmente no Nordeste do Brasil onde de dia falta água e de noite mal há luz para iluminar as casas e não há energia para funcionar os motores elétricos das bombas que abastecem, como em Alagoas, mais de 300.000 pessoas a partir de captações no Rio São Francisco. A música Romaria, de Renato Teixeira, deve ter levado a jornalista a lembrar que no Norte de Minas Gerais há uma cidade chamada Pirapora para registrar o que acontece lá como um “caso singular”, pois aquele importante polo no Norte de Minas Gerais foi avisado pelo ONS – Operador Nacional do Sistema – que a vazão no rio São Francisco cairá para 150 m3/s. Assim, como a captação só funciona se a vazão for de pelo menos 250 m3/s, conforme o texto da jornalista, não haverá mais água do São Francisco para o povo Pirapora, pelo menos até chover muito na bacia do São Francisco em Minas Gerais, pois os dados do ONS mostram que em 25 de setembro de 2014 a barragem de Três Marias secará, sendo necessário que a população de Pirapora fique sem água a partir de 01 de junho próximo. Pirapora é um caso singular como exemplo da má gestão do setor de infraestrutura que o Governo Federal pratica desde 2003 e de seu descaso para com a priorização de investimentos. Este singular caso é na verdade o mundo plural das Companhias Estaduais de Saneamento da Bahia, de Sergipe, de Alagoas e de Pernambuco as voltas desde maio de 2012 com redução de vazão e baixo nível do rio São Francisco, iludidas com o PAC Seca dedicado a contratação de carros-pipa e implantação de cisternas – ações importantes na zona rural – em detrimento da execução de obras estruturantes para atender as áreas urbanas onde há o problema maior. O modelo de gestão adotado para o setor elétrico já não era uma Brastemp e favorecia principalmente os operadores privados. Hoje, embora ainda os favoreça legalmente, na prática entrou em regime de insolvência graças ao modo lulo-petista de governar. Tarifas reduzidas para elevar a popularidade de ídolos políticos, conduzem a reajustes tarifários em menos de um ano, para onerar pesadamente todos os consumidores que convivem também com um serviço digno da década de 60, no século passado e o efetivo sucateamento da ELETROBRAS e da CHESF. O mais alarmante é que não há solução técnica a vista e o Governo Federal por seus representantes e gestores, parece aguardar São Pedro e suas chuvas, preferencialmente antes das eleições, para continuar gerenciando o Brasil como se fosse um grande sindicato em assembleia permanente. A falta de energia, programada ou imposta pela natureza, trará consigo a falta de água, isto para falar de dois serviços essenciais e intimamente relacionados, prejudicados por decisões de governantes e políticos que vivem apostando sempre e competindo com o acaso, o qual, a julgar pelos recorrentes problemas climáticos atuais não pode mais ser encarado como destino ou sorte. A evolução que poderia decorrer da privatização no setor elétrico está comprometida pela interferência, pela ingerência e pela má qualidade da gestão pública no que ainda lhe cabe, muito comprometida com o clientelismo e o fisiologismo, como nunca houve antes na história deste país. Desta forma, o setor de saneamento – primo pobre e abandonado do setor de infraestrutura – tem seu desenvolvimento empresarial prejudicado pelo mal desempenho do setor elétrico nacional e pelo jeito lulo-petista de governar. O Governo Federal ao invés de melhorar a qualidade de sua gestão parece querer fazer crer que os pobres sertanejos estão certos, quando para enfrentar a seca ainda dizem: “quem espera em Deus tudo consegue”. Amém!

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