saneamento basico

Cenário propício para novos operadores

A agência de classificação de risco Fitch diz que está acompanhando os movimentos do setor privado de saneamento, marcado principalmente por negociações de ativos em processos de recuperação judicial e atuação de alguns atores no sentido de pequenas aquisições e entradas em novos negócios. O diretor sênior, Mauro Storino, afirmou que não se surpreenderia se visse um novo nome estrangeiro entrando no mercado. “É um setor que tem uma margem elevada e por conta disso pode dar uma rentabilidade de prazo mais longo para os investidores”, afirmou, acrescentando que, para o setor, seria muito importante, uma vez que a necessidade de investimentos é elevada.

Para Storino, parcerias entre companhias privadas e estatais que não tenham recursos suficientes devem ser um caminho natural, garantindo manutenção da concessão pelo ente público enquanto são realizados os investimentos. Roberto Muniz, presidente da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), concorda, e avalia que a falta de investimentos dos governos nas diversas esferas por conta do ajuste fiscal deve gerar ambiente positivo para o florescimento de parcerias.

A Fitch trabalha com uma estimativa do mercado de que, para se atingir a universalização do abastecimento de água e tratamento de esgoto são necessários aportes da ordem de R$ 20 bilhões anualmente. “Temos feito a metade disso. Pensando em recursos de Caixa Econômica Federal e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não fecha a conta, eles não teriam como financiar tudo isso”, diz Storino, destacando que todo recurso seria bem-vindo.

Para o diretor, o crescimento da iniciativa privada deve continuar ocorrendo e daqui a alguns anos a participação no mercado deve chegar a 30%. Hoje, conforme levantamento da BF Capital, a iniciativa privada, levando em conta parcerias público-privadas, representa 12% do mercado. Storino aposta, no entanto, que as grandes estatais de saneamento, como Sabesp, Copasa e Sanepar, devem continuar controlando a maior fatia.

Com o cenário atual da economia, de crédito mais restrito e empresas nacionais em um cenário de incertezas, Muniz percebe um movimento de prospecção por parte de estrangeiras, inclusive nomes que já tiveram atuação aqui. “Ao fim dessa rodada de leilões, podemos ter alguns desses ativos nas mãos de empresas internacionais”, disse.
O diretor da Fitch alerta, no entanto, que a empresa precisa conseguir se enxergar dentro de um setor em que o bom relacionamento com o poder concedente é fundamental. “Empresas estrangeiras acharam que o que estava escrito no contrato era aquilo e acabou”, disse, em referência a casos de companhias que entraram no mercado e depois desistiram. Situações em que é imperativo atender solicitações do poder concedente e negociar um reequilíbrio são apontadas como alguns dos fatores que geram incertezas. Além disso, diz, a regulação do saneamento ainda é recente, e, caso atue em mais de uma cidade, a companhia precisa ter habilidade para lidar com mais de um poder concedente e órgão regulador.

Fonte e Agradecimentos: VALOR ECONÔMICO

Por Victória Mantoan | De São Paulo

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