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Fundo do FGTS quer reduzir peso da Odebrecht em investimentos

A Caixa Econômica Federal está tentando atrair grandes grupos financeiros e construtoras para diluir o peso do grupo Odebrecht no FI-FGTS, o bilionário fundo de investimento em infraestrutura gerido pelo banco com recursos dos trabalhadores.

Dados do próprio fundo mostram que, do dinheiro investido até hoje, quase 10% foram para empresas da Odebrecht, com R$ 3,85 bilhões. O grupo é o maior parceiro privado do FI-FGTS –OAS e Vale obtiveram R$ 1 bilhão e R$ 947 milhões, respectivamente.
A Odebrecht é o grupo que garante um dos maiores ganhos ao FI-FGTS. De acordo com o balanço mais recente do fundo, o saldo do investimento inicial nas empresas do grupo chegou a R$ 6,6 bilhões em março, valor 73% maior que o inicial.
Mesmo assim, o fundo quer reduzir essa exposição. Recentemente, como revelou a Folha, a Odebrecht Ambiental, do ramo de saneamento, usou o peso do grupo nos ganhos do FI-FGTS para tentar barrar o projeto de sua concorrente direta, a Estre. Ainda segundo apurou a reportagem, até políticos entraram em campo nessa disputa. O processo está em curso e todos negam as pressões.
Marcos Vasconcelos, vice-presidente da Caixa responsável pela gestão do FI-FGTS, confirmou à reportagem que o fundo tenta reduzir o peso da Odebrecht. “Mas isso tem zero a ver com pressão. Só queremos atrair mais grupos.”
Ainda segundo ele, a equipe de investimento da Caixa responsável pelo FI-FGTS já procurou os maiores grupos econômicos em busca de projetos que possam ser financiados. Entre eles estão a Andrade Gutierrez, CCR, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. As empresas de saneamento são prioridade. Hoje, existem R$ 40 bilhões aprovados para uso, mas o FI-FGTS só investiu R$ 26,2 bilhões. Outros R$ 5 bilhões estão compromissados com operações em curso.
Ou seja: o fundo têm R$ 8,8 bilhões disponíveis para essas futuras candidatas, mas o valor pode chegar a R$ 10 bilhões, porque parte das operações cômoro ossadas pode não sair a tempo.
EXIGÊNCIAS
Para passar pelo FI-FGTS, uma empresa pode esperar até um ano. O processo envolve 28 pessoas, desde a seleção até sua aprovação no comitê de investimento, que conta com 12 integrantes, sendo seis do governo.
Como nenhum projeto é aprovado com menos de nove votos, o governo não tem poder de decisão. Mas, com quatro integrantes desfavoráveis, é possível barrar um projeto.
Há duas formas de conseguir recursos. Uma delas é o financiamento. Mas as candidatas acabam optando por ter o FI-FGTS como sócio de seus empreendimentos. Nessa modalidade, as exigências são maiores.
As garantias apresentadas precisam estar livres e os sócios têm de comprovar capacidade de colocar mais dinheiro no projeto caso algo dê errado –tudo para proteger o dinheiro do FGTS.
Além disso, é preciso apresentar as fontes de financiamento devidamente aprovadas e garantidas com grau de investimento atestado pelas principais empresas de rating (cálculo de risco). Ou seja: o risco tem de ser baixo. “O FI-FGTS não pode arcar com perdas”, disse Vasconcelos. “Por isso, há travas de segurança nos contratos.”
ESTRESSE
Para passar pelo FI-FGTS, uma empresa pode esperar até um ano. O processo envolve 28 pessoas, desde a seleção até sua aprovação no comitê de investimento, que conta com 12 integrantes, sendo seis do governo.
Como nenhum projeto é aprovado com menos de nove votos, o governo não tem poder de decisão. Mas, com quatro integrantes desfavoráveis, é possível barrar um projeto.
Há duas formas de conseguir recursos. Uma delas é o financiamento. Mas as candidatas acabam optando por ter o FI-FGTS como sócio de seus empreendimentos. Nessa modalidade, as exigências são maiores.
As garantias apresentadas precisam estar livres e os sócios têm de comprovar capacidade de colocar mais dinheiro no projeto caso algo dê errado –tudo para proteger o dinheiro do FGTS.
Além disso, é preciso apresentar as fontes de financiamento devidamente aprovadas e garantidas com grau de investimento atestado pelas principais empresas de rating (cálculo de risco). Ou seja: o risco tem de ser baixo. “O FI-FGTS não pode arcar com perdas”, disse Vasconcelos. “Por isso, há travas de segurança nos contratos.”
ESTRESSE
Recentemente, o FI-FGTS teve problemas com a LLX, que pertencia a Eike Batista. O derretimento de seu império levou à venda da LLX ao grupo norte-americano EIG.
O negócio precisou do aval do FI-FGTS, que poderia executar as garantias de Eike e deixar o negócio caso achasse que poderia ter prejuízo. Com a mudança do comando, a empresa passou a se chamar Prumo Logística.
Em 2013, a recuperação judicial da Rede Energia também gerou controvérsias. O FI-FGTS exerceu seu direito de sair da empresa, passou de sócio a credor e teve prioridade no recebimento dos R$ 712 milhões investidos. Também teve poder de decisão na escolha do novo controlador.
Fonte: http://www20.caixa.gov.br/Paginas/NaMidia/Noticia.aspx?inmeID=340
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