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Sabesp assume serviços em Diadema em até dez dias

O prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), assinou ontem (18) o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto da cidade para a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Com isso, a estatal paulista assumirá o abastecimento e a coleta de esgoto no município 20 anos após o rompimento unilateral de contrato que proporcionou a criação da Companhia de Saneamento Básico de Diadema (Saned).

Hoje (20), o superintendente da unidade de negócios Sul da Sabesp, Roberval Tavares de Souza, vai se reunir com o presidente da Saned, Elbio Camillo Júnior, para definir os detalhes da transição, período no qual a Saned vai transferir a operação à Sabesp. “Vamos desenhar a transição. Não é simples, por isso não podemos dar data exata (para o início da operação da Sabesp). Vamos fazer de tudo para entregá-la no último dia de consumo”, disse Camillo Júnior, referindo-se ao fim do mês.

A Sabesp promete assumir totalmente o saneamento da cidade dentro de dez dias e, até lá, um grupo de trabalho formado por Camillo Júnior e Souza vai discutir sobre os serviços, medição e obras em andamento, entre outros detalhes. “São muitos detalhes, tantos que é até difícil explicá-los. Estamos terminando uma história de indecisão e estou muito otimista”, comentou o presidente da Saned.

O retorno da Sabesp a Diadema após 20 anos foi a solução encontrada por Michels para zerar a dívida de R$ 1,2 bilhão da Saned com a Sabesp. O débito se deve ao rompimento unilateral de contrato com a estatal paulista pelo ex-prefeito José de Filippi Junior, em 1993.

Em contrapartida à retomada dos serviços, a Sabesp depositará nos cofres municipais cerca de R$ 95 milhões, que deverão ser aplicados em saneamento básico. “Isso não é uma venda, é uma concessão. Foram muitas brigas pa­ra chegar até aqui, mas briguei em nome da população. Transformamos a dívida em investimento, conseguimos reverter”, disse Michels ao assinar o contrato e os documentos que formalizam o fim da dívida e da ação judicial contra a prefeitura.

Participaram da cerimônia de assinatura o diretor de Gestão Corporativa da Sabesp, Manuelito Magalhães Junior, a deputada estadual Regina Gonçalves (PV) e o líder de governo na Câmara de Diadema, José Dourado (PSDB).
Apesar da promessa inicial de metade dos R$ 95 milhões ser depositada no dia seguinte à assinatura, o dinheiro sairá no prazo de 30 dias, o que casou irritação no prefeito. O restante da quantia será pago até 2016, último ano do mandato de Michels.

Ao longo dos próximos 20 anos, a Sabesp promete investir R$ 111,6 milhões na cidade, mais R$ 47,2 milhões de 2021 a 2042. Outros R$ 275 milhões serão aplicados no sistema compartilhado, que atende Diadema e cidades vizinhas. A meta é universalizar o saneamento, ou seja, ter 100% de abastecimento, coleta e tratamento de esgoto na cidade até 2018. A expectativa da prefeitura é de assegurar investi­mentos em saneamento em locais como o Sítio Joaninha, Caviúna e Rua Iguaçu.

Ao todo, a prefeitura acredita que só com a primeira parte dos R$ 95 milhões seja possível realizar cerca de 357 intervenções no município.

Michels informou ainda que, juntamente com a Sabesp, vai reavaliar as concessões de tarifa social, processo que poderá ter início ainda este ano. “Sabemos que, em 2012, ano eleitoral, a prefeitura fez 5 mil ligações sociais. É um número que vamos mexer com cuidado e fazer um diagnóstico brando para a cidade, pois tem muita safadeza nesse meio”, alegou o verde.

Pelo acordo, a tarifa do serviço de abastecimento será mantida em 2014, com o aumento gradativo ao longo dos próximos anos.

Funcionários da Saned serão absorvidos pela Sabesp

A extinção da Companhia de Saneamento Básico de Diadema (Saned) causou polêmica devido ao receio de que seus quase 300 funcionários fossem prejudicados. O medo fez com que, nos últimos dias, os trabalhadores da companhia chegassem a ameaçar fazer greve. Porém, o acordo assinado ontem (18) garante a incorporação do efetivo à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

“A vida deles é a Saned, mas isso (a ameaça de greve) foi muito mais para pedir uma satisfação”, explicou o presidente da autarquia, Elbio Camillo Júnior.

Os quase 300 funcionários serão absorvidos pela companhia estadual, passando a receber todos os benefícios e salários oferecidos pela Sabesp. Para que isso ocorra será criada uma subsidiária da Saned, que vai incorporar os empregados e que, posteriormente, será adquirida pela Sabesp. “É um processo burocrático. Não há estabilidade porque o regime deles é CLT, mesmo concursado, assim como na Sabesp”, explicou Paulo Yoshimoto, diretor metropolitano da companhia estadual.

Segundo Yoshimoto, inicialmente todos os funcionários continuarão em Diadema e, depois, alguns podem ser transferidos para outros locais onde a companhia atua. “Depende até da vontade do funcionário, às vezes mora em outro município e pode pleitear a transferência”, completou. Em relação ao atendimento à população, Yoshimoto declarou que, no início, serão mantidos os padrões da Saned, mas depois será adotado o padrão da Sabesp.

“Estamos trabalhando muito com os Poupatempos em São Paulo, Barueri, Osasco. Tendo um Poupatempo em Diadema teremos uma loja nele”, disse.

O diretor acredita que, agora, é a hora de mostrar o padrão de qualidade da empresa para a população de Diadema. “No passado, a Sabesp esteve no ranking do Procon, hoje estamos fora. Nosso nível de aceitação entre os clientes é de 90%”, disse.

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