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Sabesp planeja exploração do ‘volume morto’

São Paulo – Diante da atual crise hídrica, a Sabesp trabalha num planejamento emergencial para exploração do volume morto (abaixo dos níveis mínimos operacionais) do Sistema Cantareira. O uso da reserva adicional de cerca de 400 milhões de metros cúbicos exigirá da companhia a compra de novas bombas e a construção de uma infraestrutura capaz de alcançar a água do fundo dos reservatórios. Na avaliação de especialistas do setor, os custos da operação devem extrapolar o plano inicial de investimentos da concessionária para o ano, mas compensam os gastos com um eventual racionamento de água na Grande São Paulo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sabesp informou que ainda estuda quais as melhores alternativas para a captação da reserva adicional. No último final de semana, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, adiantou que duas análises iniciais estão sendo consideradas. Segundo ele, a primeira alternativa permitiria a exploração de cerca de 150 milhões de metros, com a construção de ensecadeiras (espécie de barragens provisórias) e de novos canais. Outros 150 milhões de metros, segundo Alckmin, poderiam ser captados com o uso de bombeamento. “Estamos avaliando, em termos de engenharia, o tipo de bomba. Isso está sendo estudado pela Sabesp”, comentou.

De acordo com o professor do departamento de Engenharia Hidráulica da Escola Politécnica da USP, Rubem Porto, é provável que a concessionária utilize um conjunto de, ao menos, dez bombas flutuantes. “Além dessas bombas, será necessário também um sistema que traga água até elas à medida que o nível do reservatório diminua”, disse, sem estimar o custo do equipamento.

“Não é só o custo da bomba, é de energia, de tubulação, de obras complementares. É um custo muito alto”, afirmou José Cezar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ (entidade que representa as demais cidades e empresas que dividem a outorga do Sistema Cantareira com a Sabesp). Saad também alertou para o fato de que a água do volume morto possui qualidade inferior, o que eleva os gastos com tratamento. “A água desse volume morto não tem uma oxigenação tão adequada, ela não tem uma renovação e tem mais sedimentos. É uma água de qualidade inferior e no tratamento serão gastos mais produtos”.

No primeiro trimestre de 2013, a Sabesp gastou R$ 64,9 milhões com materiais de tratamento, sendo que parte do valor também inclui esgoto. Os gastos com energia elétrica somaram R$ 144,8 milhões em igual período, enquanto os custos com construção foram de R$ 486 milhões.

Fonte e Agradecimentos. http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/sabesp-planeja-exploracao-do-volume-morto

“Os investimentos (com a exploração da reserva adicional) não estavam previstos inicialmente. Os gastos que a Sabesp pode ter agora não estavam na conta, porque essa é uma questão emergencial”, afirmou presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Alceu Guérios Bittencourt.

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