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Especialistas debatem como avaliar desempenho socioambiental e climático dos setores de destinação de resíduos e bioenergia

Especialistas debatem como avaliar desempenho socioambiental e climático dos setores de destinação de resíduos e bioenergia

No evento online e gratuito, dia 4 de maio, também serão lançados questionários voltados à análise de riscos e oportunidades socioambientais dos setores.

O manejo sustentável da cadeia de destinação de resíduos sólidos tem papel estratégico na agenda climática, na prevenção da poluição – hídrica, atmosférica e do solo – e de doenças evitáveis. Este é o quinto setor com maiores emissões de gases de efeito estufa (GEE), cuja concentração elevada intensifica o aquecimento global e agrava o desequilíbrio climático.

O setor é responsável por cerca de 20% das emissões globais de metano, um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento até 86 vezes superior ao CO₂ em horizonte de 20 anos.

No Brasil, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o setor de destinação de resíduos e efluentes é hoje a segunda maior fonte de emissões de metano, correspondendo a aproximadamente 15% do total nacional; atrás apenas da pecuária bovina – a principal fonte.

O aproveitamento energético do biogás em aterros, a ampliação da reciclagem e o tratamento de resíduos orgânicos por meio da compostagem são apenas alguns exemplos de práticas que podem melhorar os indicadores de sustentabilidade do setor.

Apesar do potencial, a compostagem ainda é pouco difundida no Brasil, com a maior parte dos resíduos orgânicos destinada a aterros, onde gera grande quantidade de metano.

Dados da iniciativa Brasil Composta Cultiva, do Instituto Pólis, indicam que cerca de 45,6% dos resíduos coletados no país são orgânicos compostáveis – como restos de alimentos e resíduos de jardim –, mas menos de 0,3% desse volume é efetivamente tratado por compostagem.

A ampliação da compostagem reduziria emissões e permitiria o reaproveitamento desses resíduos na produção de fertilizantes, por exemplo, promovendo a economia circular.

Já a produção de energia a partir do biogás – gerada pela decomposição de matéria orgânica – desponta como alternativa estratégica para diversificar a matriz energética ao substituir fontes fósseis e reduzir a liberação de metano na atmosfera.

Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o Brasil detém o maior potencial mundial de produção de biogás, mas aproveita apenas cerca de 1,5% dessa capacidade para geração de energia elétrica, térmica e produção de biometano.

Desafios e oportunidades para o setor

Para debater o desempenho socioambiental e climático desses segmentos econômicos de grande relevância para a agenda climática e socioambiental, a associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) promove no dia 4 de maio, às 9h30, bate-papo online e gratuito com especialistas dos setores de destinação de resíduos e bioenergia, assim como representantes do sistema financeiro. Na ocasião, serão lançados questionários voltados à análise de riscos e oportunidades socioambientais dos setores, elaborados pela SIS.

O 18º BIS (Bate-papo Inclusivo e Sustentável) contará com a participação da consultora Joice Maciel, da Apoena Socioambiental, especialista em destinação de resíduos; de Maria Clara Pantelli, da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás); do consultor e especialista em biocombustíveis Paulo Costa, da House of Carbon; do Secretário Adjunto de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), Lucas Ramalho; além da Diretora Executiva e Técnica da SIS, Luciane Moessa.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail [email protected]

O Questionário de Avaliação de Desempenho Climático e Socioambiental do setor de destinação de resíduos abrange diferentes tipos de destinação – aterros sanitários e industriais, reciclagem, compostagem e incineração, incluindo também a captura de gás de aterro para produção de biogás.

A proposta é estabelecer parâmetros mais robustos para diferenciar as empresas conforme seu desempenho climático e socioambiental. Na prática, o questionário funciona como referência técnica para instituições financeiras na avaliação de empreendimentos, ampliando a capacidade de direcionar capital para soluções de maior impacto social, ambiental e climático positivo ao invés de financiar empresas cujo desempenho climático e socioambiental é insuficiente e que não possuem metas de melhoria.

A iniciativa integra uma série de questionários setoriais desenvolvidos pela SIS, baseados no mapeamento de padrões nacionais e internacionais de sustentabilidade e em referências normativas brasileiras, bem como nas Taxonomias que já incluíram os setores, permitindo a identificação de lacunas relevantes supridas pela equipe técnica da SIS.

A metodologia já foi aplicada a áreas como construção civil, saneamento básico (água e esgoto), agricultura, pecuária, florestas, mineração e segmentos industriais. Os próximos setores previstos são energia, transportes terrestres, pesca e aquicultura.

Serviço

18º BIS – Bate-papo Inclusivo e Sustentável da SIS
Lançamento de Questionários de Avaliação de Desempenho Climático e Socioambiental – Setores de Destinação de Resíduos e Bioenergia
Data: 4 de maio, segunda-feira
Horário: 9h30 às 11h (horário de Brasília)
Formato: online (Zoom)
Inscrições: [email protected]

Fonte: SIS


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