A Aegea planeja fazer um aumento de capital entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões, como forma de reduzir sua alavancagem financeira, que está próxima dos limites de endividamento da companhia. Além disso, a convocação dos sócios para a capitalização, divulgada na terça-feira (7 de Julho), ocorreu em meio à crise da empresa junto ao mercado financeiro.
Nos últimos meses, essa situação levou ao rebaixamento das notas de crédito da companhia. Como consequência, também piorou o cenário de captação de novos recursos para a operadora.
Se aprovada, a capitalização ocorrerá por meio da emissão de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 55,29. O mesmo valor por papel atribuído no aumento de capital de R$ 1,2 bilhão homologado pela Aegea em fevereiro deste ano. A assembleia para a nova operação foi convocada para o dia 28 de julho. Por fim, os títulos em dólar da Aegea com vencimento em 2029 tiveram ligeira recuperação ontem durante o dia.
A Itaúsa, uma das acionistas da Aegea com cerca de 13,2% de participação, já comunicou que poderá subscrever entre R$ 730 milhões e R$ 1,5 bilhão no novo aumento de capital. Segundo o grupo, o valor a ser potencialmente subscrito depende de como os demais sócios da Aegea exercerão seus respectivos direitos. Ademais, os recursos provêm do caixa da holding, que não espera “efeitos relevantes” do potencial aporte nos resultados deste ano.
“O aumento de participação acionária da Itaúsa na Aegea está alinhado à sua estratégia de alocação eficiente de capital, reforçando seu compromisso contínuo com a criação de valor aos acionistas, investidas e à sociedade”, afirmou a empresa.
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Grupo já indicou menor apetite para novos ativos, com oferta baixa na Copasa e ausência em leilão de PPPs
Em comunicado ao mercado, a Aegea disse que o objetivo da operação é reforçar sua estrutura de capital e acelerar o processo de desalavancagem. E, além disso, não aplicar os recursos em novas operações de crescimento inorgânico, destacou uma pessoa próxima à empresa.
Nas últimas semanas, a companhia já indicou sua menor disposição em conquistar novos ativos. O grupo, que nos últimos anos se posicionou como o operador privado mais agressivo nas licitações de água e esgoto. Não apresentou proposta acima do preço mínimo na privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), no fim de junho.
Ademais, na semana passada, a empresa também não fez ofertas no leilão das Parcerias Público-Privadas (PPPs) do Ceará – onde o grupo já opera dois contratos e, portanto, poderia ter sinergias.
A crise da Aegea foi desencadeada em abril deste ano, pelo atraso na publicação do balanço de 2025, que quase levou a companhia a romper “covenants” (cláusulas restritivas de contratos de financiamento). O grupo divulgou os resultados faltando um minuto para o prazo-limite.
Além disso, a alavancagem reportada pela empresa terminou março em 3,89 vezes na relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), muito próxima do limite de 4 vezes.
À época, fontes já sinalizavam ao Valor que um aumento de capital seria alternativa para acelerar a redução do indicador para 3 vezes. Algo que sem capitalização poderia levar cerca de dois anos.
Fonte: Valor
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