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Elétricas cortam dividendos prevendo mais um ano difícil

Tradicionais pagadoras de dividendos, as empresas de energia elétrica colocaram o pé no freio e diminuíram drasticamente a distribuição de proventos no ano passado. Assoladas por incertezas e com alavancagem maior, a maior parte das companhias preferiu segurar recursos e reforçar o caixa para enfrentar mais um ano considerado bastante complicado para o setor.

Entre as distribuidoras, a preocupação é com o impacto do aumento das tarifas sobre a demanda e, conseqüentemente, sobre a receita. Já as geradoras esperam um novo baque nas contas por conta do déficit de geração hídrica, que já custou mais de R$20 bilhões em 2014.

A CPFL Energia, que costuma distribuir quase todo o lucro em dividendos, optou por pagar apenas 44,5% do resultado. Na mesma direção, a Tractebel deixou, pela primeira vez desde 2010, de distribuir a totalidade do lucro aos acionistas. Em 2014, apenas 50% do resultado líquido se transformou em dividendos.

Em teleconferência, o presidente da companhia, Mário Zaroni, reforçou a expectativa conservadora e afirmou que espera que este ano os gastos para cobrir o déficit de geração hídrica ultrapassem aqueles verificados no ano passado e possam totalizar até R$30 bilhões para o setor como um todo.

Pela regulação do setor, a diferença entre a garantia física das usinas hidrelétricas e o volume efetivamente despachado é rateado entre todos os agentes via compras no mercado de curto prazo, a preços elevados. No ano passado, esse déficit ficou em pouco menos de 10%. Em 2015, a previsão de especialistas é que esse número gire entre 12% e 20%, gerando novo impacto bilionário.

Prevendo “um ano igualmente difícil” em 2015, nas palavras do próprio presidente, Miguel Setas, a EDP Energias do Brasil cortou o “payout” para o mínimo de 25% do lucro. “Quando o conselho de administração tiver expectativa de um cenário diferente, essa decisão poderá ter uma alteração”, disse o executivo em teleconferência com analistas. Com menos recursos em caixa, a companhia já anunciou que não deve entrar em novos projetos até a conclusão de obras de grandes hidrelétricas que estão em andamento.

Na mesma linha, cortaram o pagamento de dividendos como proporção do lucro para o mínimo de 25% a Cemig e a Light. No caso da Eletropaulo, não houve lucro a ser distribuído – a companhia saiu do azul em 2013 para um resultado negativo em R$132 milhões no ano passado.

Na Eletrobrás, a situação foi ainda mais grave: após três anos consecutivos de perdas bilionárias, até a reserva estatuária para pagamento de proventos secou, levando a empresa a não declarar dividendos pela primeira vez na história. No ano passado, a estatal federal registrou prejuízo de pouco mais de R$3 bilhões.

Entre as empresas que compõem o Índice de Energia Elétrica (IEE) da BM&FBovespa, ficou por conta da Cesp manter a tradição. A geradora paulista usou reservas e aprovou distribuição de R$1,77 bilhão aos acionistas, apesar do lucro de apenas R$560 milhões.

Analistas, no entanto, criticaram a medida, já que a maior parte das concessões da companhia vence nesta ano e ainda não há planos para novos investimentos. “Sentimos que a companhia está em seus últimos momentos”, disse Antonio Junqueira, BTG Pactual, em relatório, ao rebaixar a recomendação para os papéis da companhia de manutenção para venda.

Entre os especialistas de mercado, preservar caixa no atual cenário é a melhor estratégia. Diante da escassez de oferta de energia, a expectativa é que haja novos leilões do governo a preços atrativos e, para aproveitar a oportunidade, as companhias precisam estar capitalizadas. “Com o BNDES e o mercado de dívida em modo de aversão ao risco, o caixa mais uma vez volta a ser o rei, e a proteção do balanço pode trazer bons resultados no curto prazo”, disse a equipe do BTG. “O setor passou de uma história defensiva para uma de crescimento. Exige mais estômago, mas ainda pode dar bons retornos”, resume um analista.

 

Fonte: Valor Econômico

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