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Sabesp Aegea Saneamento Argentina

Sabesp e Aegea estão entre as interessadas no saneamento de Buenos Aires, uma aposta inédita fora do país

Sabesp Aegea Saneamento Argentina

Por Rikardy Tooge

A maior privatização de saneamento que atrai empresas brasileiras não está no Brasil, mas sim na Argentina.

A venda do controle da AySA (Agua y Saneamientos Argentinos), estatal responsável pelos serviços de água e esgoto da Grande Buenos Aires, despertou a atenção de Sabesp e Aegea.

Se confirmada, essa será a primeira investida das grandes empresas brasileiras de saneamento em um ativo fora do país — um movimento inédito em um setor historicamente concentrado em concessões domésticas e ainda com o desafio de universalizar os serviços até o início da próxima década.

Além de Sabesp e Aegea, bancos de investimento estão sondando outras empresas brasileiras de saneamento para olharem o ativo portenho.

Sabesp Aegea Saneamento Argentina

A AySA é considerada o maior sistema urbano de saneamento da América Latina, atendendo 15 milhões de habitantes na Cidade Autônoma de Buenos Aires e em 26 municípios do conurbano. Opera três plantas potabilizadoras, 21 estações depuradoras e uma malha combinada que supera 40 mil quilômetros de redes de água e esgoto.

Para a Sabesp, que atende 25 milhões de pessoas em São Paulo, a aquisição equivaleria a um salto de quase 60% na base de usuários. No caso da Aegea, que soma 39 milhões de clientes em 892 municípios brasileiros, a estatal argentina representaria um acréscimo de 45%.

Em 2024, a AySA entregou Ebitda de US$ 48,3 milhões após 17 anos de resultados negativos, mas a avaliação dos bancos de investimento é que a companhia teria potencial para gerar cerca de US$ 250 milhões de Ebitda por ano. Em termos financeiros, o valor poderia corresponder a aproximadamente 10% do resultado operacional de Sabesp e Aegea no ano passado.

Histórico complexo

A privatização em Buenos Aires carrega um peso histórico. O contrato permitia tarifas dolarizadas e aumentos extraordinários, mas as obras prometidas nunca saíram do papel.

Com a crise econômica de 2001, os atritos se intensificaram. Em 2006, o governo Néstor Kirchner rescindiu o contrato e criou a AySA como estatal, com 90% do capital nas mãos da União e 10% dos trabalhadores. Desde então, a companhia se tornou um dos símbolos da reversão da agenda privatizante dos anos 1990.

Essa memória pesa no debate atual: na imprensa argentina, críticos temem que o país repita a experiência de tarifas elevadas e expansão restrita aos bairros de maior renda.

Cronograma

Para Javier Milei, a equação é simples: o governo argentino não tem mais capacidade de financiar as obras necessárias. Em julho, ele assinou o Decreto 494/2025. Autoriza a transferência de até 90% das ações da AySA para investidores privados, via licitação pública nacional e internacional.

O desenho prevê que pelo menos 51% do capital fique com um operador estratégico. Enquanto o restante poderá ser colocado em Bolsa — um modelo que lembra, guardadas as devidas proporções, a privatização da própria Sabesp no ano passado, quando a Equatorial passou a ser o sócio de referência.

Oportunidade brasileira

A presença de Sabesp e Aegea no radar sinaliza uma guinada no setor brasileiro. Historicamente, companhias de saneamento do país nunca buscaram ativos relevantes fora de casa. Ainda mais após o Marco do Saneamento de 2020, que ampliou a competição doméstica.

Para a Sabesp, que passou por privatização em 2024, a entrada em Buenos Aires seria a primeira grande jogada após sua transição para o setor privado. Para a Aegea, consolidada como líder no mercado brasileiro, a aquisição seria uma forma de reafirmar sua escala em nível regional.

Fonte: IN.

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