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Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio: desafios para além das latinhas são referência mundial

Imagem Ilustrativa

Em 28 de outubro, é celebrado o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio e o Brasil tem se posicionado bem nesse mercado. Em 2021, o país consumiu 54,7% de alumínio reciclado, superior à média mundial, de 28%, conforme revelado no último Anuário Estatístico da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

Indústrias já estudam desenvolver novos processos para atender outros tipos de sucata junto a clientes e parceiros

Além disso, o Brasil segue como referência global na reciclagem de latas de alumínio para bebidas, com índice de 98,7% de reaproveitamento do total de 33,4 bilhões de unidades produzidas em 2021. Trata-se de um recorde desde o início desse cálculo em 1990.

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), o segmento tem mantido o patamar de reciclagem acima dos 95% nos últimos 10 anos, evitando a emissão de 16 milhões de t de gases de efeito estufa (GEE) ao meio ambiente, com economia no consumo de energia em 70% ao longo de todo ciclo de vida da latinha.

Isso porque o processo utiliza apenas 5% da energia elétrica e libera somente 5% das emissões de GEE em comparação à produção do metal primário, obtido por meio da transformação do minério da bauxita, segundo o International Aluminium Institute (IAI).

No entanto, devido ao consumo inconsciente, cresce a importância da economia circular e do incentivo ao aumento da reciclagem do alumínio. De acordo com a Global Footprint Network (GFN), organização internacional responsável pelo cálculo da Pegada Ecológica, no ano passado era necessário 1,7 planeta para sustentar nosso padrão de consumo. Em 2022, esse número subiu para 1,75.


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Beatriz Sobreira, gerente-sênior de Estratégia e Sustentabilidade da Novelis – que possui o maior complexo de laminação e reciclagem de alumínio da América do Sul, em Pindamonhangaba (SP) – conta que, para além das latinhas, o desafio para expandir esse trabalho está na separação do alumínio dos materiais ou resíduos presentes nos componentes descartados.

“Para os tubos de aerossol, é necessário retirar a válvula e o gás. Para a cápsula de café, é preciso separar a borra do alumínio. Em ambos os casos, é preciso envolver uma empresa terceirizada que faça a separação e destinação correta dos resíduos”, exemplifica Beatriz.

Segundo a gerente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) representa um avanço no país. Mas, para viabilizar o processo de reciclagem de produtos, é necessário construir uma cadeia eficiente e que gere valor para todos os envolvidos, similar à estrutura existente para latas. Além disso, é importante o trabalho contínuo de educação e conscientização para que o descarte ocorra da maneira correta.

“Estamos avaliando a possibilidade de reciclar outros tipos de sucata de alumínio, além da latinha para bebida”, conta a executiva.

A perspectiva da Novelis é manter a liderança mundial no setor, aumentar o conteúdo reciclado dos produtos, que hoje é de 77%, e engajar clientes, parceiros, fornecedores, varejo e comunidade em torno da reciclagem e da preservação do meio ambiente.

Na visão da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), nos setores Automotivo, Construção Civil e Energia, o tempo de vida útil do alumínio é alto, diferentemente das embalagens, cujo material rapidamente retorna para o processo inicial.

No caso das embalagens multimateriais, existe uma cadeia bem estabelecida de reciclagem de plástico no Brasil. O grande desafio é obter um material de qualidade e rastreabilidade que permita sua aplicação em diversos novos produtos, como filmes e embalagens rígidas diversas, entre outros. Já as embalagens flexíveis são comumente descartadas em aterros sanitários por conta da inviabilidade de reciclagem.

Atualmente, quando se trata de embalagens cartonadas, apenas a parte de papel retorna à origem do processo. O plástico e o alumínio são reprocessados juntos para darem origem a novos materiais, o que é a grande barreira para a circularidade dessa cadeia.

“Estamos estudando possibilidades para desenvolver novos processos de reciclagem e buscando parcerias de qualidade, pois acreditamos que só assim avançaremos nesse”, informa a CBA.

Investimentos

Em menos de cinco anos, a Novelis fez aportes que ultrapassaram R$ 1,2 bilhão para aumentar sua capacidade de produção e de reciclagem (490 mil t por ano no Brasil). Para auxiliar nesse trabalho, a empresa conta com 14 centros próprios de coleta distribuídos pelo país, além de uma rede de parceiros.

Além dos investimentos já anunciados, há estudos em andamento para ampliar o complexo de Pindamonhangaba (SP) e seguir atendendo o mercado sul-americano de latas para bebidas, que está em constante crescimento.

“A Novelis é a única recicladora do país que devolve o alumínio à cadeia da lata novamente, o que significa que o metal reaproveitado é utilizado para a confecção de novos laminados que serão, posteriormente, comercializados para as fabricantes da embalagem mais sustentável do mercado. A meta também é elevar o conteúdo reciclado das nossas chapas para lata em cerca de 8 pontos percentuais até março de 2027”, diz Beatriz Sobreira.

Em maio de 2021, a companhia deu início a um projeto piloto na cidade de São Paulo para conceder benefícios adicionais ao pequeno fornecedor de sucata. Em outubro do mesmo ano, ao observar os rumos que o projeto já estava tomando, criou o programa Liga da Reciclagem Benefícios. Visando a estimular ainda mais o desenvolvimento de pequenos e médios fornecedores, a iniciativa se estendeu para os cinco centros de coleta do Estado de São Paulo.

“A cadeia da reciclagem do alumínio movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano e beneficia mais de 800 mil famílias que vivem da atividade. Além da importantíssima contribuição para o futuro do planeta, há o aspecto social que deve ser considerado e adequadamente observado”, explica a gerente.

No processo produtivo

A CBA já tem como uma de suas prioridades a reciclagem da sucata de alumínio resultante de processos produtivos, gerada na empresa e oriunda de terceiros, bem como a sucata pós-consumo. A Metalex e a Alux do Brasil são as unidades dedicadas à reciclagem, mas as unidades de Itapissuma (PE) e de Alumínio (SP) também realizam esse processo.

Em 2021, a Metalex reciclou 61,2% da produção de 73.694 t de tarugos. Já na fábrica, em Alumínio, foram reciclados 20,4% de 444 mil t. E em Itapissuma, 45,2% de 77. 800 t de resíduos.

A companhia estabeleceu os seguintes objetivos relacionados à circularidade do alumínio, a serem cumpridos até 2030:

  • Ampliar para 80% o volume de reciclagem de alumínio com sucata industrial e de obsolescência na Metalex;
  • Ampliar para 50% o volume de reciclagem de alumínio com sucata industrial e de obsolescência na produção de tarugos na fábrica de Alumínio (SP);
  • Ampliar a captação de sucata e reciclagem externa;
  • Reciclar 40 mil t por ano de embalagens cartonadas e flexíveis.

A Metalex construirá uma linha de separação de sucata. A obra permitirá receber o insumo com mais contaminantes e tratá-lo para que fique pronto para a produção de tarugos com maior conteúdo reciclado.

O projeto entrará em funcionamento em 2023 e, além de permitir que mais clientes tragam mais sucata para ser limpa, também prevê aumentar a quantidade de sucata nos tarugos, dos atuais 60% para até 80%.

Já a Alcast Laminados desenvolve seus produtos a partir do material primário. Porém, após o acabamento do processo, em torno de 30% da matéria-prima utilizada retorna para a fundição.

“A empresa possui fortemente em seu DNA a visão de construção do futuro sustentável. Sabemos exatamente qual legado queremos deixar para as futuras gerações e, portanto, a partir de 2023 iremos iniciar um projeto promissor que aumentará o volume de material reciclado. A empresa possui metas arrojadas de investimento”, ressalta Gil Vieira, diretor da companhia.

Área de refusão da Alcoa

Neste ano, a Alcoa Poços de Caldas tem utilizado mensalmente cerca de 30% de conteúdo reciclável sobre o volume total de vendas de tarugos.

“Com isso, é possível tornar o processo mais sustentável ambientalmente e financeiramente por meio da refusão de conteúdo reciclável de alumínio, em substituição à refusão de material primário. Nosso metal é utilizado para a produção de tarugos, lingotes e metal líquido”, explica Evandro Júnior, gerente de Refusão e Pó de Alumínio da Alcoa Poços de Caldas.

O percentual de sucata refundida é um indicador acompanhado diariamente, assim como as quantidades de cada tipo de material utilizado por meio de um planejamento de produção. O time comercial trabalha juntamente com a equipe técnica para identificar as melhores oportunidades para o aumento deste consumo.

Na visão do gerente, nesta área, os maiores desafios envolvem a capacidade de refusão de diferentes ligas para o atingimento da composição química desejada e a implementação de novas tecnologias que permitam a refusão de diferentes tipos de sucatas, mantendo assim, a segurança e a produtividade.

Globalmente, a Alcoa disponibiliza uma solução completa de produtos com baixa emissão de carbono – Linha Sustana, que conta com o EcoDura, um produto com 50% de conteúdo reciclável, contribuindo com a economia circular.

Já a Astraeatm é uma tecnologia patenteada pela companhia que pode purificar sucata automotiva de baixo valor, removendo impurezas para produzir alumínio com maior pureza do que o metal de grau comercial produzido em uma fundição.

Latinhas são a melhor solução para economia circular

Em 2022, o International Aluminium Institute (IAI) divulgou um estudo que compara a circularidade de três tipos de embalagem para bebidas: alumínio, vidro e plástico (polietileno tereftalato – PET), realizado pela consultoria Eunomia.

Embora nenhuma embalagem tenha alcançado o potencial máximo de economia circular, o alumínio supera o vidro e o PET em todas as etapas do fluxo de gestão de resíduos, com 71% do material reciclado, quase o dobro do vidro (34%) e do plástico (40%).

As latas de alumínio foram consideradas a melhor solução para a economia circular porque apresentam eficiência de 90% no processo (classificação, reprocessamento e refusão). As perdas do metal podem ser ainda menores com a implementação de sistemas eficientes de logística reversa.

Crescimento contínuo

De acordo com a Recicla Latas – entidade gestora responsável pelo aperfeiçoamento da reciclagem das latas de alumínio para bebidas no Brasil –, ao comparar os índices de 2021 com 2020, nota-se um crescimento de 2 bilhões de latinhas recicladas. Ao analisar a década (2011-2021), os dados apontam que o aumento no consumo da embalagem foi de mais de 80%.

Para Renato Paquet, secretário-executivo da Recicla Latas, tudo passa pelo investimento e o cuidado de quem está envolvido com essa cadeia de reciclagem.

De 2021 a 2023, os recursos direcionados para novas unidades fabris de latinhas somam R$ 5 bilhões. Além disso, o sistema conta ao todo com 36 centro de coleta, além de uma ampla rede de parceiros, um dos fatores que explicam o sucesso da reciclagem das latinhas.

Fonte: Revista Alumínio.

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