Influenciado pelo El Niño, cenário climático ajuda no nível dos mananciais; Rio Grande alcança 92,2% e Cantareira 40,1% do volume.
Os quatro reservatórios que abastecem o Grande ABC ganharam 142,2 bilhões de litros de água em 18 dias de setembro, um dos meses mais chuvosos da história do Estado.
Segundo o Painel dos Mananciais da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), entre os dias 1º e 18 de setembro, o Sistema Alto Tietê recebeu 54,8 bilhões de litros de água, enquanto o Cantareira acumulou 68 bilhões e o Rio Claro, 1,5 bilhão.
No mesmo período, o Rio Grande, principal reservatório responsável pelo abastecimento de cerca de 1,5 milhão de pessoas na região, recebeu 17,9 bilhões de litros. Atualmente, o manancial opera com 92% de sua capacidade total, mantendo-se na faixa considerada normal de operação.
O Cantareira voltou à margem dos 40,1%. No entanto, ainda se encontra em alerta, segunda pior faixa. Uma eventual subida para a faixa de Atenção será estudada no fim do mês pela SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo), a partir do contexto de melhora.
Desse modo, as reguladoras poderiam retirar mais metros cúbicos de água por segundo. A medida poderia melhorar o abastecimento dos moradores.
Para dimensionar essa diferença, no mesmo período do ano passado, os quatro mananciais haviam registrado uma perda de 64,3 bilhões de litros de água. Já nos primeiros 18 dias de agosto deste ano, os reservatórios também apresentaram uma redução de 33,7 bilhões de litros. O resultado evidencia a instabilidade das condições climáticas registradas no período.
Influenciado pelo Super El Niño, o Grande ABC registrou um dos meses de setembro mais chuvosos dos últimos anos. O Diário mostrou esse cenário na edição de quinta-feira (17).
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Com chuvas, reservatórios que abastecem a região ganham 142 bilhões de litros de água
Nas duas primeiras semanas do período, as sete cidades acumularam, em média, 257 milímetros de chuva. O volume representa mais que o dobro dos cerca de 125 milímetros esperados para todo o mês de setembro.
O professor de Recursos Hídricos da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Jefferson Nascimento, avalia que o cenário representa um certo alívio para os reservatórios. Isso ocorre após um período de queda nos níveis de armazenamento.
“São vários os fatores que influenciam na recuperação dos mananciais do Estado, porém, na situação atual, o que mais vai criar um incremento na quantidade de água é realmente a chuva, bem como a redução do consumo que está sendo monitorada pela Sabesp, com a redução da pressão e a diminuição da vazão da água”, comentou o especialista.
Desde agosto de 2025, a Sabesp implantou a GDN (Gestão de Demanda Noturna) de 8 horas, que reduz a pressão de água entre 22h às 6h. Segundo a empresa, foram economizados neste período 193 bilhões de litros de água.
Apesar da elevação dos níveis dos reservatórios em razão do aumento das chuvas, a SP Águas afirma que o cenário ainda exige atenção e monitoramento constante. Entre as medidas adotadas está o uso das estruturas de transferência existentes, como a interligação entre a Bacia do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, e o Sistema Cantareira, que permite a transferência de 8,5 metros cúbicos de água por segundo.
Dessa forma, uma eventual paralisação da GDN será definida a partir da análise das condições dos reservatórios ao final do mês.
Segundo o professor da Unesp, apesar da melhora nas condições dos reservatórios, as medidas adotadas devem permanecer em vigor.
“O início do mês de outubro configura o começo da estação mais chuvosa para Região Metropolitana de São Paulo e deve ir até março do ano que vem. Isso não significa que deve haver um relaxamento das medidas já tomadas, pois alguns modelos prevêem que até o final do ano o Cantareira chegue a um pouco mais de 50% dependendo obviamente da continuidade e quantidade das chuvas”, falou Nascimento.
A Sabesp, por exemplo, ressaltou a necessidade do uso consciente pelos moradores como tomar banhos curtos, utilizar vassouras na limpeza ao invés de mangueiras, manter torneira fechada ao ensaboar louça ou escovar os dentes.
ONDE ABASTECEM?
O Sistema Alto Tietê é responsável por abastecer parte dos municípios de Santo André e Mauá, enquanto o Rio Claro também atende Ribeirão Pires. Já o Sistema Cantareira contribui para o abastecimento de Santo André e São Caetano. O Rio Grande, por sua vez, abastece Santo André, São Bernardo e Diadema.
Fonte: Diário do Grande ABC
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