São Paulo fiscaliza 300 km de rios para barrar furto de água
Blitze em indústrias e fazendas já resultou em 12 multas e 170 advertências por retirada de água sem autorização e com volume superior ao permitido.
Blitze em indústrias e fazendas já resultou em 12 multas e 170 advertências por retirada de água sem autorização e com volume superior ao permitido.
Depois de quase secar o Cantareira, maior reservatório de água da Grande São Paulo, a estiagem vivida em todo o Estado desde o fim do ano passado traz consequências duras para o segundo maior reservatório da região, o sistema Alto Tietê, que abastece 4,5 milhões de pessoas na capital paulista e em outros 9 municípios da região metropolitana. Até ontem, a capacidade do Alto Tietê marcava 23,4%, mais de 20 pontos percentuais a menos que os 46,3% registrados no início deste ano.
CAMPINAS - O problema da falta de água já afeta a produtividade e causa demissões no setor industrial paulista, afirmou o diretor de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo San Martin.
Torneiras vazias, caminhões-pipa nas ruas, banhos de caneca, estocamento de água, inflação de preços, poços artesianos. Parece distante, mas esse cenário pode vir a fazer parte do cotidiano de muitos paulistanos caso as previsões mais pessimistas acerca do desabastecimento dos sistemas Cantareira e Alto Tietê sejam confirmadas
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo conta apenas com o volume morto do sistema, a chamada reserva técnica.
Após dois meses do início do bombeamento da água da reserva técnica ("volume morto") do Sistema Cantareira, o nível dos reservatórios estava ontem em 18%. A rápida redução da capacidade, o programa de descontos para quem reduz o gasto de água e a possibilidade de que seja necessário um racionamento de água preocupam analistas que acompanham a Sabesp. Em 60 dias, o volume de água do Cantareira caiu 8,7 pontos percentuais, já que na inauguração das bombas a capacidade foi para 26,7% com mais 182,5 bilhões de litros de água.
O nível do Sistema Alto Tietê de represas caiu para 23,6% nesta segunda-feira (14), conforme informou a Sabesp. O novo registro representa uma queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao dia 1º de julho, quando o sistema operava com 25,7% de sua capacidade.
Até o fim do ano que vem, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) tem como meta reduzir de 29% para 25% o índice de perda de água em São Bernardo. As ações, que começaram na semana passada, demandarão investimento aproximado de R$ 58 milhões. O objetivo das intervenções é diminuir o desperdício causado por vazamentos e ligações clandestinas.
Documentos registrados pelos três principais candidatos ao governo paulista dedicam pouco espaço à ameaça de falta d'água no Estado.
O racionamento de água na zona industrial de Sorocaba começou na segunda-feira e pode afetar a produção das indústrias do lugar. Para evitar que o problema incida em interrupção das atividades, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Sorocaba vem acompanhando e monitorando a questão. Segundo a instituição, todos estão buscando alternativas para evitar uma paralisação, o que poderia acarretar prejuízos. O Ciesp destaca, ainda, que diversos caminhos e soluções definitivos devem ser encontrados, uma vez que a escassez ou abundância de água reflete na atração de novos investimentos para a cidade.