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Ações da Sabesp atingem maior valor em 2016

As ações da Sabesp, negociadas na Bovespa, atingiram cotação máxima do ano, de R$ 23,75, ontem, primeiro pregão após divulgar o balanço do quarto trimestre, na madrugada de sexta-feira. No ano, o papel acumula alta de 26%. Além de resultados melhores que o esperado, a divulgação do balanço foi acompanhada do plano de investimentos para os próximos cinco anos e do anúncio de que quer encerrar o programa de contingência iniciado durante a crise.

A decisão de solicitar à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), o cancelamento, a partir de maio, do programa de contingência, que prevê concessão de bônus ou cobrança extra a partir do desempenho de consumo de água de cada cliente, gerou repercussões divergentes em relatórios de bancos.

Os analistas do BTG avaliam a decisão como positiva, uma vez que, em 2015, o programa sozinho foi responsável por retirar R$ 426,4 milhões do Ebitda da empresa – foram concedidos R$ 926,1 milhões em bônus e coletados R$ 499,7 milhões em multas.

Já o UBS pondera que as mudanças recentes feitas na política de concessão de bônus – condicionando a obtenção do desconto a uma maior economia de água – deveriam resultar, ao longo deste ano, em uma entrada maior de dinheiro proveniente da cobrança de multa, comparativamente ao montante de saída por desconto.

A Sabesp reportou lucro líquido de R$ 461 milhões, multiplicando em mais de 14 vezes o resultado do mesmo período de 2014 e batendo expectativas de analistas. A receita líquida somou R$ 3,22 bilhões no trimestre, crescimento de 13,3%, e o Ebitda ajustado subiu 91,9%, para R$ 957,2 milhões.

Os números superaram as projeções do BTG, que esperava lucro de R$ 314 milhões, receita de R$ 2,16 bilhões e Ebitda de R$ 818 milhões. O UBS aguardava lucro de R$ 231 milhões e Ebitda de R$ 893 milhões no trimestre.

Junto com os resultados, a Sabesp informou previsão de R$ 12,45 bilhões em investimentos para o período de 2016 a 2020. O valor é 8% menor que o previsto para quinquênio 2015-2019. Para 2016, a mudança representa corte de 38% na previsão, para R$ 1,8 bilhão. Na avaliação do UBS, o movimento pode ser explicado pelo “elevado nível de alavancagem resultado de oito anos de altos investimentos sem uma estrutura tarifária apropriada”.

O patamar de endividamento foi destaque no relatório de administração, que acompanha as demonstrações financeiras de 2015. No documento, a empresa diz que encerrou o ano com dívida total de cerca de R$ 13,1 bilhões, sendo 50,4% em moeda estrangeira. Destaca que a crise hídrica e os efeitos do câmbio geraram pressão sobre os indicadores contratuais (“covenants”) de dívidas.

Em nota divulgada no site da companhia, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, diz que não é possível manter, nos próximos anos, desequilíbrio entre lucro e investimentos e aumentar o volume da dívida. “Os investimentos muito necessários para prover serviço de primeiro mundo à população atendida pela Sabesp terão que ser majoritariamente cobertos pelos lucros em anos vindouros.”

Fonte: Valor
Foto: Divulgação

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