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Agespisa instala bomba d’água após mulher ficar 36h amarrada em poço

A população do conjunto Pedro Balzi está grata à moradora Ângela de Jesus, de 37 anos, que passou 36h amarrada ao poço instalado no bairro em protesto pela constante falta de água no local. O manifesto surtiu efeito e a Agespisa, empresa responsável pela distribuição de água no estado, enviou uma equipe na manhã desta segunda-feira (23) para dar continuidade às obras no poço.

Moradores contaram que Ângela de Jesus foi desamarrada a força pelos vizinhos na noite da sexta-feira (20), quase 36h depois dela ter iniciado o protesto. Eles cortaram as cordas e a levaram para casa abatida e sem forças por ter ficado horas sem comer e sem beber.

“Ela se sacrificou por nós. Eu jamais conseguiria fazer isso e não sei se teria essa coragem porque ela não pensou somente nela, mas em todos. Pensou em mim, que sou doente e não posso carregar água. Não vamos esquecer o que ela fez”, falou a costureira Deusuíta da Silva que tem sérios problemas ósseos e precisa carregar baldes de água até a sua residência.

O eletrotécnico Manuel Silva foi um dos que ajudaram a desamarrar a moradora. “Ela esperneou e não queria sair de jeito nenhum, mas a gente precisava fazer aquilo. Ângela não poderia ficar mais sofrendo porque não era justo. Nós agradecemos muito a coragem dela”, relatou.

Um grupo de moradores acompanhou os funcionários da Agespisa. Ângela também observava o trabalho da empresa e revelou que, por ela, só deixaria o local quando visse a água sair da torneira de sua casa.

“Eu tenho quatro crianças em casa e mais um idoso. Não é justo vivermos com falta de água. Fiz isso por eles, mas também por toda a comunidade e deu certo. Graças a Deus vieram e vamos ver se vão cumprir o que prometeram”, falou.

Para o ajudante de pedreiro Antônio Soares, a situação é revoltante e só revela o descaso dos governantes com a população do bairro. “Eu tenho um joelho quebrado e mesmo assim preciso todos os dias carregar baldes de água. É um descaso com a população porque jogam a gente aqui e não nos dão estrutura para viver”, falou.

De acordo com a população, o conjunto Pedro Balzi está há quase 20 dias sem o abastecimento de água por um problema na bomba elétrica do poço tubular. A bomba é a responsável por distribuir a água que chega às torneiras.

A Agespisa informou através de nota que as obras no poço tubular serão concluídas na terça-feira (24) e que após os serviços o fornecimento de água será reestabelecido.

Fonte: G1

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