Copasa afirma que 95% do esgoto lançado na Pampulha foi retirado

O lançamento de mais de 95% do esgoto na Lagoa da Pampulha, um dos cartões-postais de Belo Horizonte, foi interrompido. A afirmação é do diretor de operação da Região Metropolitana da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Rômulo Perilli.

A meta foi alcançada com dois anos de atraso. Na época, a empresa alegava que a lagoa poderia receber esportes náuticos durante a Copa de Mundo de 2014.

“Evidentemente é muito difícil depois de anos e anos de poluição você acabar de uma vez com essa carga poluidora. Porém, já tiramos mais de 95% do esgoto que aportava a lagoa e ainda temos um percentual Quando você fala em 5% de um grande volume ainda é significativo”, disse o diretor.

O esgoto produzido por cerca de 90 mil pessoas era despejado na lagoa. Grande parte delas são moradoras de Contagem, na Região Metropolitana, que possui a maior parte da bacia hidrográfica e, por isso, apresenta os piores problemas em relação ao saneamento. Segundo a Copasa, desde 2013, mais de R$ 100 milhões estão sendo gastos para a construção de redes coletoras e interceptoras na cidade e também em Belo Horizonte.

“As obras previstas neste último contrato elas vão terminar em dezembro. Tivemos problemas judiciais, problemas em remoção de famílias, tivemos problema em remoção de energia elétrica, de linha de telefonia, mas tudo isso foi resolvido”, afirmou Perilli.

À esq, a Lagoa da Pampulha em abril de 2014, durante o desassoreamento. À dir, o mesmo local em novembro de 2014 (Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/divulgação)À esq, a Lagoa da Pampulha em abril de 2014, durante o desassoreamento. À dir, o mesmo local em novembro de 2014 (Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/divulgação)

Porém, mesmo com a redução expressiva do lançamento de esgoto, o diretor alega que a lagoa está longe de se tornar própria para o banho ou para a realização de esportes náuticos. “Isso não significa que a lagoa estará despoluída para o ano que vem. (…) Sempre estamos melhorando, certamente não teremos a lagoa para uso de contato humano, com certeza não, mas a água com certeza também  estará melhor que esse ano”.

Unesco
A lagoa faz parte do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, candidato ao título de Patrimônio Mundial da Unesco. Nesta quinta-feira (3), o comitê gestor que pretende promover e monitorar ações de preservação do local tomou posse na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Segundo o prefeito Márcio Lacerda (PSB), a limpeza da Lagoa da Pampulha é importante para que a cidade alcance o título, mas não é necessário que ela esteja totalmente despoluída em julho de 2016, data em que a candidatura será analisada.

“A candidatura é do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. A paisagem, naturalmente, é um elemento importante neste conjunto e nós não podemos estar com a lagoa poluída. Para que o título seja concedido, não é necessário que todo o trabalho esteja concluído, mas é preciso que esteja em bom andamento, numa visão, num alcance de meta viável a um prazo razoável. Isso nós temos”, afirmou o prefeito.

Ainda de acordo com Lacerda, várias intervenções estão sendo feitas para limpar a lagoa. Uma delas é o desassoreamento. Segundo a PBH, mais de 800 mil m³ de lama foram retirados do local.  Outro projeto é o “jardim filtrante”, previsto para o fim do ano, que prevê a limpeza de córregos que abastecem a lagoa.

Conjunto Arquitetônico
As construções que fazem parte do projeto de tombamento são: a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa de Baile, o Iate Tênis Clube, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha) e a Casa Kubitscheck.

Chamado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Conjunto Moderno da Pampulha, o complexo foi construído em 1943 pelo então prefeito da capital mineira Juscelino Kubitscheck. O tombamento foi feito em 1997, pelo próprio instituto. As edificações no estilo moderno foram projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com paisagismo de Roberto Burle Marx, painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

O relatório final da Unesco deve ficar pronto em julho de 2016. O documento será apresentado na 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Bonn, na Alemanha.

Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/09/copasa-afirma-que-95-do-esgoto-lancado-na-pampulha-foi-retirado.html

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