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Grupo espanhol negocia compra de ativos da construtora Delta

O grupo espanhol Essentium negocia assumir as dívidas e obras ainda tocadas pela Delta Construções, empreiteira em recuperação judicial após suspeitas de corrupção em 2012.

A operação é uma forma de o grupo entrar com força no mercado nacional, de olho na eventual dificuldade financeira de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato.

A Essentium vai se associar a um grupo de engenheiros da Delta, que terá 10% da nova empresa a ser formada.

O grupo assumirá 134 obras que ainda estão sob responsabilidade da Delta. São contratos assinados antes de junho de 2012, quando a empresa foi declarada inidônea, o que impediu novos acordos com órgãos públicos.

O grupo também vai assumir o pagamento da dívida, estimada em cerca de R$ 250 milhões. Ela também tocará as obras para as quais a Técnica Construções –subsidiária criada no processo de recuperação judicial– foi contratada. Receberá ainda equipamentos, veículos e máquinas da empreiteira.

A entrada de empreiteiras estrangeiras tem sido vista no governo federal como uma saída para o caso de crise financeira das investigadas no operação Lava Jato.

Teme-se a paralisação de obras no país com o envolvimento das grandes do setor, como Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, e Andrade Gutierrez. Todas negam estar sob risco.

A transação depende da homologação na Justiça do aditivo ao plano de recuperação judicial da Delta que prevê a venda.

CRISE DA DELTA

Após ter receita bruta de R$ 3 bilhões em 2010 e se tornar a empreiteira com o maior volume de contratos com o governo federal, a Delta entrou em crise financeira com investigações contra a empreiteira. A PF apontou elo entre diretor da empresa e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Ela também passou a ser alvo após a revelação da amizade próxima entre seu dono, o empresário Fernando Cavendish, e o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB). A empresa tinha mais de R$ 1 bilhão em contratos no Rio.

Em 2013, a Delta teve uma receita bruta de R$ 725 milhões. A empreiteira afirma que, após as investigações, passou a não receber de governos por serviços já prestados –o que chamou de “bullying empresarial”.

Já a Técnica venceu 12 licitações, mas não conseguiu assinar todos os contratos. Alguns órgãos consideraram que a inidoneidade da Delta se estendeu à subsidiária, embora decisão judicial livre a empresa da punição.

Se concretizada a venda, a Delta vai manter operação reduzida. Deve focar suas atividades em obras privadas.

Editoria de Arte/Folhapress

INCURSÃO

Não é a primeira incursão do grupo Essentium no Brasil. Após negociação frustrada com a WTorre, os espanhóis compraram metade da Niplan Engenharia em 2012.

O negócio, porém, se tornou uma disputa judicial. A Essentium é acusada de não injetar os R$ 40 milhões acordados, o que ela nega.

Através de seu braço de engenharia, a Assignia, o grupo espanhol conseguiu seu primeiro contrato no país no início do ano passado. Em consórcio com a construtora Continental, se tornou responsável pela manutenção de estradas federais em Santa Catarina.

A aquisição da Delta, contudo, visa garantir uma gama de contratos mais ampla e com funcionários com experiência no país.

O grupo Essentium teve uma receita bruta de € 484 milhões em 2013. A empresa afirma estar presente em 40 países e concentra 54% dos seus 8.425 funcionários no exterior.

A presidente do grupo, Susana Monje, é também tesoureira do Barcelona. Permaneceu no clube de futebol mesmo após a renúncia do presidente Sandro Rosell, que deixou o cargo no início de 2014, após controvérsia sobre a aquisição dos direitos do brasileiro Neymar.

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