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Lixões e aterros irregulares colaboram para a disseminação do novo coronavírus, diz Abrelpe

Brasil destinou a lixões ou aterros controlados 29,5 milhões de toneladas de resíduos, 40,5% do total produzido, em mais de 3 mil municípios

Um dos maiores desafios dos novos tempos é o crescimento acelerado das grandes cidades e a destinação correta do lixo e entulho. Em meio à luta contra a pandemia do novo Coronavírus, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) propõe que se discuta a grande importância também da questão ambiental, com foco especial na destinação final dos resíduos.

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018/2019 da Abrelpe, o Brasil destinou a lixões ou aterros controlados 29,5 milhões de toneladas de resíduos, 40,5% do total produzido, em mais de 3 mil municípios. Os perigos dessa prática são inúmeros, como a poluição do ar e da água, emissão de gases do efeito estufa, atração de vetores e risco de incêndios.

“Quando tratamos de assuntos como a presença de lixões e de aterros controlados, estamos falando também da facilitação da propagação do vírus e da dificuldade em se ter condições adequadas de higiene. Todo o cenário ambiental se reflete também na saúde.”, aponta a entidade.

Em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos previu que todos os lixões do país deveriam ser extintos até 2014. Infelizmente, por conta da falta de prioridade no enfrentamento do problema, da ausência de financiamentos, de busca por soluções conjuntas com outros municípios e de parcerias público-privada, essa meta ainda está longe de ser realizada.

No ano passado, a proposta de estender os prazos para a extinção dos lixões em todos os municípios do país entre 2021 e 2024 foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas ainda está em tramitação pelo Senado Federal.

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Pandemia

A existência de lixões a céu aberto traz problemas ainda maiores em tempos de Coronavírus. Afinal, diversos catadores que tiram seu sustento destes locais podem se contaminar com o vírus, já que não há qualquer tipo de proteção. Populações que vivem em áreas próximas a lixões ou aterros irregulares são afetadas diretamente pelos lixões especialmente por conta dos fortes odores e da atração de vetores que podem causar doenças diversas.

Em um momento em que muitas pessoas têm sofrido dificuldades para conseguir atendimento no Sistema Único de Saúde, esse pode ser um problema adicional. Além disso, o chorume vindo do lixo pode contaminar o solo. Soma-se a isso a falta de saneamento básico adequado e temos um cenário ainda mais complexo.

Aterro sanitário

Após esgotadas as possibilidades de reciclagem e tratamento, em vez de os resíduos seguirem para os lixões, destaca a Abrelpe, o certo seria direcioná-los aos aterros sanitários, locais regulamentados que possuem sistemas de drenagem do chorume e do gás metano (que pode ser reaproveitado) e que gera renda e empregos formais a trabalhadores. Nesse caso, os trabalhadores possuem todo o cuidado no tratamento dos resíduos, o que evitaria a propagação por parte do Coronavírus e outras doenças.

Coleta Seletiva

Outro ponto de grande importância é a necessidade de ampliar a coleta seletiva em todos os municípios brasileiros e estimular a reciclagem e a logística reversa de materiais diversos. Com a realização desses processos, é possível reutilizar materiais como matéria-prima e evitar que sejam descartados incorretamente na natureza.

“Os lixões fazem parte de um problema histórico de difícil resolução no Brasil por conta da falta de investimentos, de interesse por parte do poder público e das condições precárias em que muitos brasileiros vivem.”, destaca a associação.

A Abrelpe propõe discutir a gestão e a destinação de resíduos sólidos em locais adequados, porque  traz benefícios para a qualidade de vida da população não apenas em relação ao meio ambiente, mas também à saúde, condições de moradia, saneamento básico, empregos e oportunidades.

Fonte: Agora Vale.

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