saneamento basico

RS: Deputado defende aprovação da PEC da Água no Grande Expediente

O deputado Jeferson Fernandes (PT) ocupou o espaço do Grande Expediente da Assembleia Legislativa, na sessão da tarde desta quinta-feira (1), para falar sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de sua autoria, estabelecendo que a privatização do abastecimento de água e do saneamento pelos municípios gaúchos deverá ser precedida de consulta popular. A proposta, subscrita por outros 18 parlamentares, foi protocolada no final da sessão plenária.

Além da consulta popular, a PEC da Água estabelece a obrigatoriedade de implementação de políticas de proteção e preservação dos recursos hídricos. De acordo com a proposta, o plebiscito, previsto pela medida, deverá ser realizado em todos os municípios abrangidos pela bacia hidrográfica que abastece a cidade que pretende conceder os serviços à iniciativa privada.

Atualmente, a Corsan é a principal empresa de saneamento do Estado, atendendo a 316 municípios e mais de sete milhões de gaúchos. A estatal está investindo R$ 4,4 bilhões para ampliar e qualificar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto. Do total, R$ 3,4 bilhões vêm do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

“Do ponto de vista econômico, a Corsan é um bom negócio, porque não onera o Estado e ainda opera programas com destinação de recursos federais de vulto. Já do ponto de vista social, a empresa é ainda melhor, porque cumpre função importantíssima, ao promover a universalização do abastecimento, a partir do subsídio cruzado, que faz com que municípios superavitários subsidiem serviços para os deficitários”, salientou.

Com base em informações veiculadas pela imprensa regional, o petista sustentou que a estatal corre o risco de ser privatizada. Citou matéria veiculada pelo jornal Correio do Povo, do dia 22 de agosto, segundo a qual porta-vozes do governo do Estado teriam dito a deputados que “um dos cenários previstos para 2016 é o de enviar projetos à Assembleia, propondo a venda à iniciativa privada de parte da Corsan e da CEEE”.

Outro exemplo, lembrado pelo parlamentar, é a consulta a especialistas sobre dificuldades para a privatização da Companhia, feita pelo jornal Zero Hora na edição do dia 19 de julho. O petista citou também nota em que a colunista Rosane de Oliveira, de ZH, diz que “no leque de opções em estudo no Piratini estão a venda de ações da CEEE até o limite de 49% e a abertura do capital da Corsan”.

Crise como justificativa
Na avaliação do parlamentar, a crise enfrentada pelo Rio Grande do Sul, que já vem sendo utilizada para justificar a extinção de órgãos públicos, pode servir também para alavancar a privatização de estatais. “Isso não é novidade. O ex-governador Antônio Britto iniciou o processo, vendendo a CRT e parte da CEEE. Ele só não vendeu a Corsan, porque faltou tempo hábil. Agora, nos causa temor a ameaça de retomada desse projeto privatista, tendo como foco o saneamento, o que restou da CEEE e até o Banrisul”, ponderou.

O parlamentar revelou que trabalha com o tema da privatização desde 2011, quando o município de São Luiz Gonzaga esteve em tratativas para terceirizar os serviços de esgotamento sanitário. A intenção do governo local não se concretizou, pois o Ministério Público denunciou o esquema que visava a favorecer uma empresa privada.

“Após investigações que comprovaram a tentativa de fraude, o prefeito foi preso e posteriormente, cassado. Infelizmente, as cidades de Uruguaiana e São Gabriel não tiveram o mesmo êxito em processos semelhantes. Os serviços foram privatizados, e a tarifa vem aumentando acima da média praticada pela Corsan. Para se ter uma ideia, em 2014, a Companhia reajustou as contas de água em 6,04%, enquanto em Uruguaiana, a Odebrecht aplicou um aumento de 9,59%, índice bem superior ao INPC, que foi de 6,05%”, comparou o petista.

Jeferson explicou que o foco da PEC de sua autoria são os municípios, pois muitas prefeituras resistem em renovar os contratos com a Corsan. Segundo ele, municípios como Santa Cruz do Sul, Gravataí, Santa Maria e Canoas já cogitaram ou estudam o rompimento dos contratos.

“Se isso acontecer, a Companhia corre o risco de inviabilizar seus serviços, pois os municípios com maior poder econômico são os principais mantenedores da estatal. E com a quebra desses contratos, além da fonte de recursos, a Corsan pode perder investimentos em estrutura física já feitos nas cidades. Essa é uma situação absurda, porque a estrutura, que é patrimônio do Estado, acaba sendo encampada por empresas privadas, que não ressarcem os cofres públicos. Foi o que ocorreu em Uruguaiana”, apontou, lembrando que 179 cidades gaúchas já municipalizaram o abastecimento e duas privatizaram os serviços de água e esgoto.

Também se manifestam, por meio de apartes, os deputados João Fischer (PP), Alexandre Postal (PMDB), Tarcísio Zimmermann (PT) e Enio Bacci (PDT).

Fonte: http://www2.al.rs.gov.br/noticias/ExibeNoticia/tabid/5374/IdMateria/301298/language/pt-BR/Default.aspx

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »