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Como identificar se a água está própria para o consumo?

É sabido que o consumo regular de água auxilia no funcionamento do organismo. A quantidade de água que consumimos tem um papel fundamental, desde o controle da temperatura até o bom funcionamento do sistema circulatório. Porém, a água que não está bem filtrada pode ser nociva, aumentando o risco de contaminação por micro-organismos em vez de fortalecer a imunidade.

A água proveniente das empresas de abastecimento não necessita de filtragem

A água distribuída à população pelas companhias responsáveis em cada cidade ou estado deve seguir os parâmetros exigidos pela Portaria 2.914/2011 do Ministério da Saúde. As avaliações incluem parâmetros básicos de controle, como turbidez, cor, cloro e coliformes. Todos os resultados devem ser encaminhados para as Vigilâncias Sanitárias locais.

Entretanto, um relatório do governo federal aponta que o Brasil desperdiçou 37% de toda a água tratada em 2013. Os resultados são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), serviço ligado ao Ministério das Cidades. O SNIS aponta como principal causa do desperdício os vazamentos em adutoras, redes, ramais, conexões e reservatórios das prestadoras de serviço responsáveis pelo abastecimento. A falta de manutenção dessas estruturas – assim como o descuido com encanamentos particulares e caixas d´água – pode comprometer a qualidade da água que chega aos consumidores, além de gerar desperdício. O resultado é simples de prever: muitas vezes a água que sai da torneira não está própria para consumo.

Pensando nisso, conversamos com especialistas para entender como identificar que a água está própria para consumo e alertar para os perigos de consumir a bebida sem filtragem adequada:

Inodora, incolor e insípida

De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, do Lavoisier Medicina Diagnóstica, a água que sai da torneira deve ser incolor, insípida e inodora. Isso quer dizer que a bebida não deve apresentar cor, gosto ou odores.

Se a água estiver com qualquer coloração que não a incolor, está vetado seu consumo. “Outras colorações indicam que a água está contaminada por bactérias ou por contaminantes físicos ou químicos, como barro, ferro, etc”, alerta o especialista. No entanto, a cor da água somente não indica que ela é própria para consumo. “A água pode estar transparente, mas estar contaminada”, diz. Além disso, o infectologista explica que a água potável pode eventualmente apresentar uma coloração diferente devido ao processo de tratamento ao qual foi submetida – na dúvida, faça a filtragem ou fervura.

A presença de qualquer odor mostra que esta água pode estar contaminada por agentes físicos, químicos ou bacterianos. O infectologista ressalta que a bebida com odores não deve ser consumida mesmo que seja incolor. “A recomendação é filtrar ou ferver essa água antes da ingestão, caso não seja possível adquirir água engarrafada”, afirma.

Da mesma forma que o odor, o gosto alterado é um sinal que o líquido não está próprio para consumo. Caso o gosto da água persista mesmo após filtragem ou fervura, é recomendado utilizar o recurso para outra atividade que não o consumo ou lavagem de alimentos.

Direto da torneira: sinal verde?

A água proveniente das empresas de abastecimento nos grandes centros urbanos é própria para consumo humano, sem necessidade de filtro. “Porém, caso não haja cuidado na limpeza e desinfecção nos locais para estocagem, como cisternas e caixas d’água, pode haver contaminação”, explica o infectologista Alberto. Alimentos como frutas e legumes geralmente são lavados com água corrente e também estão sujeitos à contaminação. Por isso é importante verificar a higiene destes locais, garantindo que a água da torneira está própria para consumo.

Existem vários tipos de filtros, com diferentes capacidades de limpeza. Alguns conseguem retirar impurezas e outros até mesmo as bactérias. O filtro de barro, por exemplo, retira algumas impurezas, mas não consegue desinfetar a água contaminada com microrganismos. Ao passo que as versões modernas geralmente oferecem maior proteção. “Para conhecer a capacidade do filtro, deve-se consultar um especialista ou analisar a água em laboratórios credenciados”, afirma o infectologista Alberto.

De olho no risco

A ingestão de água contaminada favorece a infecção por várias doenças. “Febre tifoide e hepatite A, por exemplo, tem transmissão oral-fecal por causa do consumo de água ou alimentos contaminados”, diz o infectologista Alexandre Naime, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Infecções virais que provocam sintomas como diarreia e vômito também são consequências comuns da ingestão de água contaminada. A recomendação, portanto, é que só se faça o consumo de água tratada (filtrada, fervida ou mineral engarrafada).

 

Fonte: www.minhavida.com.br

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