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Gestão da água e de resíduos

Gestão da água e de resíduos visa a ecoeficiência

Gestão da água e de resíduos

Por: Naiara Bertão

Na Basf, fabricante de produtos químicos, a substituição da matriz energética por uma menos poluente é parte de uma série de iniciativas que estão sendo desenvolvidas para diminuir a pegada de carbono. A meta é reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 25% até 2030, em relação a 2018.

Rodolfo Walder Viana, gerente de sustentabilidade da Basf na América do Sul, explica que duas outras frentes importantes são as de resíduos e de água.

Em resíduos, a empresa está em busca de selos aterro zero para suas fábricas. A planta de catalisadores de Indaiatuba (SP) conquistou o selo platina Zero Waste to Landfill em 2021, certificado pela americana UL Certification. Lá, cerca de 2% dos resíduos são levados a aterros industriais. A poda e o lixo orgânico vão para compostagem, o entulho para reciclagem e, com a autorização por meio do Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental (Cadri), emitido pela Cetesb, o lixo comum é enviado para coprocessamento para geração de energia. Sem lixo, a empresa deixa de contabilizar a emissão de metano do que vai para aterro e ainda reduz os custos com esse serviço de envio e gestão. “Financeiramente justifica”, afirma o executivo.

A empresa também busca formas de reduzir as sobras do processo produtivo. Com o programa de gestão de resíduos sólidos Maweryc no Complexo Químico de Guaratinguetá (SP), por exemplo, já foram identificadas 85 oportunidades de melhoria com impacto ambiental, seja pela redução de geração de resíduos e/ou por mudança de tecnologia. Algumas sobras que antes iam diretamente para o aterro foram aprovadas pela equipe de qualidade para retornar à esteira. Outros resíduos foram direcionados a indústrias de cimento e cerâmica.

Gestão da água e de resíduos

O projeto começou em 2020 em três das 13 plantas do complexo e, no ano passado, foi implementado em todas as áreas produtivas e algumas áreas de serviço. A expectativa é que isso ajude a cortar cerca de R$ 1 milhão ao ano de custos com descarte e lance menos 400 toneladas de gás carbônico equivalentes (tCO2 e) na atmosfera anualmente.

Na frente de gestão de água, para cumprir a meta de, até 2025, reduzir em 35% a captação do insumo limpo da natureza por tonelada produzida nas fábricas, a empresa mudou produtos e processos. O que ajuda é que ela já vinha implementando desde 2012 um programa de ecoficiência em fábricas.

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Neste período, por exemplo, o consumo do insumo nas áreas administrativas e na produção da planta de tintas e vernizes em São Bernardo do Campo (SP) caiu 55%. Adicionando à diminuição de 16% do consumo de energia, foram eliminadas 21% das emissões de GEE. Já em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, a reutilização de mais de 1 milhão de litros de água na produção e a mudança da matriz energética para 100% renovável, permitiu reduzir cerca de 98% do CO2 e no período.

“Somos uma indústria intensiva em água. Precisamos garantir que não vamos sofrer consequências de uma seca em determinada região”, afirma.

O executivo lembra, porém, que nem tudo que é necessário ser processado pelas indústrias intensivas como a química é viável atualmente. “Daqui até 2030 há uma rota mapeável, mas para chegar à neutralidade em 2050, ainda dependemos de novas tecnologias e pesquisas serem desenvolvidas.”

Em sua estratégia de descarbonização, a Basf está criando um CNPJ próprio para a linha de produção de catalisadores de emissões para o setor automotivo e de industriais móveis, e de reciclagem de materiais preciosos (provenientes desses catalisadores) de Indaiatuba. A unidade passará a se chamar Basf Automotive Catalysts and Recycling e responderá diretamente aos Estados Unidos.

A empresa não explica quais os planos para a divisão, mas já destacou em comunicações públicas que a aposta hoje é em eletromobilidade. Em 2021 foram anunciados investimentos entre € 3,5 bilhões a € 4,5 bilhões para o período de 2022 a 2030 em materiais de bateria, especialmente nas plantas da Ásia, Europa e América do Norte. A empresa é grande fornecedora química da indústria automotiva, que vem sendo pressionada para se tornar mais limpa.

Fonte: Valor.

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