saneamento basico

Santa Catarina ainda precisa avançar em tratamento de esgoto

Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Trata Brasil mostram a deficiência de avanços em saneamento nas cidades de Santa Catarina. O estudo, que é feito a cada dois anos, traz um ranking das 100 maiores cidades do Brasil. Florianópolis, Blumenau e Joinville são os municípios elencados no levantamento, que mostra a necessidade de mais investimentos em esgotamento sanitário.

Em relação ao tratamento de esgoto, com exceção da Capital, as demais apresentam números mais baixos que a média nacional de 40,8%, que já é considerado um patamar demasiadamente baixo.

Florianópolis tem um indicador de 50,59%, seguida por Blumenau com 17,77% e Joinville de 18,61%. O tratamento de esgoto foi o pior indicador apresentado no estudo. Apenas 19 municípios tratam mais de 80% de seus esgotos, 52% das cidades ficam entre entre 20,1 e 79,9%, e 29 regiões tratam menos de 20% do seu esgoto, sendo este o principal problema a ser superado.

Apenas três cidades no país têm 100% de tratamento de esgoto: Limeira, Piracicaba e São José dos Campos, todas em São Paulo. Os municípios de Ananindeua e Santarém (PA), Governador Valadares (MG), Porto Velho (RO) e São João de Meriti (RJ) não têm tratamento de esgoto.

Pedro Scazufca, coordenador do estudo, observa em Santa Catarina uma situação peculiar:

— Apesar de ser um estado rico, o esgotamento sanitário é bastante deficitário. Em relação à coleta e tratamento, os números são baixos, mesmo comparados com Estados mais pobres, apresentando um desenvolvimento abaixo do esperado — avalia.

Evolução lenta

Em Blumenau, a pesquisa mostra uma evolução. Em um comparativo dos indicadores com a última pesquisa (dados de 2012), apresentada em 2014, houve uma melhora significativa em relação à cobertura total de esgoto.

No estudo anterior, a cidade do Vale do Itajaí apresentava uma cobertura total de esgoto de 7,2%. Em 2014, esse número evoluiu para 29,19%.

—Eles tiveram uma iniciativa por meio de uma parceria privada. O indicador de 2014 ainda é ruim, mas se observarmos ao longo do tempo há uma evolução — compara Scazufca.

O ponto positivo das cidades catarinenses está nos indicadores de cobertura de água que apresentam bons índices, todas perto dos 100% sendo: Florianópolis (100%), Blumenau (98,89%) e Joinville (98,91%).

Investimentos

Outro ponto analisado no estudo são os investimentos. As 20 melhores cidades do ranking investiram juntas em 2014 o valor de R$ 827 milhões e arrecadaram R$ 3,8 bilhões com os serviços. Já a média de investimento entre 2010 e 2014 foi de R$ 188,24 milhões, o que gera uma média de R$ 71,47 por habitante/ano.

Em Santa Catarina, o investimento da Capital no mesmo período foi de R$ 247,21 milhões, Blumenau, R$ 158,01, e Joinville, R$ 238,09. A média dos investimentos dos últimos cinco anos foi de R$ 96,46 milhões (R$ 28,20 por habitante/ano).

Os números mostram uma tendência das cidades com as maiores carências ficarem ainda mais atrasadas na infraestrutura mais básica.

Desde 2009, o Instituto Trata Brasil divulga o “Ranking do Saneamento Básico nas 100 Maiores Cidades”, sempre com base nos dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS).

Os números são informados pelas próprias empresas operadoras de água e esgotos dos municípios brasileiros ao Governo Federal.

Como a cada quatro anos o Trata Brasil faz uma revisão dos critérios e indicadores usados no ranking, coordenadores da pesquisa não aconselham um comparativo com os estudos anteriores que podem não gerar uma leitura correta dos dados.

Fonte: DC
Foto: Divulgação

Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Cobrada em algumas cidades há décadas e recém-implantada em outras, a chamada “taxa de lixo” tem ganhado espaço nos debates públicos do Alto Tietê. Embora a medida costume gerar resistência da população, especialistas afirmam que a cobrança deixou de ser apenas uma opção das prefeituras e passou a ser uma exigência legal prevista na Lei Federal nº 14.026/2020, conhecida como Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que determina que os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos tenham sustentabilidade econômico-financeira, ou seja, uma fonte específica de arrecadação.

Leia mais »
SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

Melhorar a transparência na gestão de resíduos e criar mecanismos mais eficientes. Para acompanhar os resultados da logística reversa estão entre os desafios de Santa Catarina para avançar na economia circular. Para atender a essa demanda, o estado ganhou uma nova plataforma digital. Com ela, será possível acompanhar, de forma integrada, todo o fluxo da logística reversa no estado.

Leia mais »
Você usaria água de reúso

Você usaria água de reúso?

Imagine a seguinte situação: você lava o carro com água potável. Depois, rega o jardim com água potável. Dá descarga no vaso sanitário usando água potável. Agora pense por um instante: será que todas essas atividades realmente precisam utilizar uma água com qualidade para consumo humano?

Leia mais »
Sistema Cantareira passará a operar na Faixa de Alerta em julho

Sistema Cantareira passará a operar na Faixa de Alerta em julho

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Informam que o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na Faixa 3 – Alerta a partir de 1º de julho. A medida segue o que estabelece a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.

Leia mais »
Por que concessionárias estão substituindo leituras mensais por monitoramento contínuo EOS Systems

Por que concessionárias estão substituindo leituras mensais por monitoramento contínuo | EOS Systems

No setor de saneamento, o modelo tradicional de leituras mensais está rapidamente se tornando obsoleto. Isso porque vazamentos invisíveis, fraudes e perdas operacionais não podem mais esperar 30 dias para serem detectados. Por isso, concessionárias estão migrando para o monitoramento contínuo, adotando tecnologia que transforma dados em decisões estratégicas em tempo real.

Leia mais »