Evento reuniu, em São Paulo, mais de 300 profissionais do setor de saneamento e contabilidade.
O 3º Encontro Nacional de Contadores do Setor de Saneamento (ENCONSAB), realizado na quarta (19/8) e quinta-feira (20/8), em São Paulo. Reuniu 313 representantes de órgãos reguladores, empresas, entidades de classe e especialistas para discutir os desafios da contabilidade diante das transformações do setor. Ao longo da programação, temas como Reforma Tributária, contabilidade regulatória, novas normas internacionais, Inteligência Artificial e auditoria independente mobilizaram os debates.
O impacto da Reforma Tributária no saneamento foi uma temática transversal do encontro. Representantes de agências reguladoras, empresas de saneamento, entidades de classe e órgãos públicos temem um possível aumento nas despesas das concessionárias. Ademais, o que geraria uma série de pedidos de reequilíbrios econômico-financeiros às agências reguladoras do setor e prováveis reflexos nas tarifas.
O presidente da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR), Vinicius Benevides, chamou atenção para os efeitos da Reforma Tributária sobre o setor, como uma necessidade de revisões tarifárias extraordinárias ao longo dos próximos anos, com a adoção gradual de uma dinâmica tributária.
“Nós vamos passar seis anos fazendo a transição. Praticamente vamos ter que fazer a cada ano uma revisão tarifária em função da aplicação dessa nova tributação”, afirmou.
A preocupação com o equilíbrio entre investimento e capacidade de pagamento da população também esteve presente na fala de Silvano Silvério da Costa, superintendente de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Ele destacou o avanço da contabilidade regulatória e o esforço da agência para padronizar informações e procedimentos no setor por meio das normas de referência.
Estavam presentes ao debate dirigentes das principais representações das concessionárias do setor. Como a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), a Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e a Associação Brasileira de Empresas de Saneamento (Abcon).
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Agenda
A contabilidade regulatória foi tema de um painel em que se defendeu a importância de informações com rastreabilidade, granularidade, comparabilidade e auditabilidade para reduzir a assimetria de informações e apoiar decisões regulatórias. Ademais, foram debatidos critérios para reconhecimento de custos e ativos, além da importância da Base de Ativos Regulatórios para a adequada remuneração dos investimentos. As mudanças na agenda internacional da contabilidade também mereceram destaque.
Além disso, especialistas manifestaram preocupação com a adaptação, ao contexto brasileiro, das normas internacionais IFRS 18 e IFRS 20 a partir de 2027 e 2029, respectivamente.
O debate sobre a Agenda ESG no saneamento adquiriu uma nova perspectiva. A Agenda ESG influencia as decisões, a gestão de riscos, a geração de valor e o acesso a capital.
Eventos climáticos extremos, por exemplo, podem afetar operações e contratos de concessão.
Especialistas do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) apresentaram o trabalho dos contadores como um importante elo de confiança para investidores e financiadores. Essa atuação ganha relevância diante da necessidade de ampliar os investimentos para a universalização dos serviços de água e esgoto.
O uso de Inteligência Artificial (IA) e análise de dados também foi apontado como uma transformação da atividade, sem substituir a responsabilidade e o julgamento dos profissionais.
Convidado para a palestra magna, o professor emérito da USP Eliseu Martins destacou que o avanço da IA não elimina a contabilidade, mas amplia o papel do profissional. Segundo ele, enquanto houver usuários que necessitem de informações para tomar decisões, haverá demanda pela contabilidade. O avanço da tecnologia exige que o contador vá além do domínio técnico. Compreendendo as necessidades dos diferentes usuários da informação e desenvolvendo habilidades de comunicação e inteligência emocional. Diante de tantos desafios, o professor propôs uma reflexão sobre o futuro da profissão.
“A pergunta não é ‘vai acabar o contador?’. A pergunta é: ‘vai acabar o usuário?’”, provocou Martins, ex-diretor do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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História
A terceira edição do Encontro Nacional de Contadores do Setor de Saneamento (ENCONSAB) reuniu 313 contadores, reguladores e representantes do setor de saneamento e da contabilidade. Além do número de inscritos recorde, foi a primeira vez que o evento foi realizado em São Paulo – as duas primeiras edições aconteceram em Brasília.
Por fim, o evento é organizado em rodízio das entidades parceiras, ANA, ABAR, Aesbe, Assemae, Abcon e MDIR. Nesta edição de São Paulo, a ABAR foi a responsável pela realização do encontro.
Fonte: ABAR








