A cidade e o esgoto
O filete de esgoto correndo a céu aberto em plena avenida Estevão de Mendonça, em um dos pontos de maior valor imobiliário de Cuiabá, revela o descaso com que foi tratado o saneamento no município, nas últimas décadas.
O filete de esgoto correndo a céu aberto em plena avenida Estevão de Mendonça, em um dos pontos de maior valor imobiliário de Cuiabá, revela o descaso com que foi tratado o saneamento no município, nas últimas décadas.
Uma descarga elétrica na madrugada desta quarta-feira (5) na Estação de Tratamento de Água 1 (ETA 1) de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, deixou 54 bairros sem abastecimento de água durante todo o dia. A distribuição de água deve voltar ao normal às 20h, segundo o Departamento de Água e Esgoto do município. O DAE não soube precisar quantos moradores foram afetados pelo problema.
Mesmo com o tradicional calor de Cuiabá que costurar beirar os 40°, com os raios solares ardendo a pele, a energia solar não é uma opção viável. A situação não é só na Capital, mas se estende para todo o Mato Grosso e o Brasil. A inviabilidade se deve ao custo muito alto das placas denominadas fotovoltaicas responsáveis por transformar os raios em energia. Se deve também ao armazenamento do que foi capturado durante todo o dia, pois as baterias são caras e têm vida útil de apenas 2 anos.
Será realizado em Mato Grosso de 24 a 28 de março o curso de Redução de Perdas em Sistemas de Saneamento, realizado por meio de parceria entre a Funasa e a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae). As inscrições já estão abertas e podem ser feitas gratuitamente pelo site www.reducaodeperdas.org.br.
O presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Júlio Pinheiro (PTB) sugeriu que a concessionária de saneamento da Capital, CAB Ambiental, elabore um cronograma de investimentos para tornar mais transparente o seu trabalho. Para o parlamentar, a medida irá tranqüilizar população, uma vez que ela saberá quando e o que será feito em sua região.
O secretário de Governo da Prefeitura de Cuiabá, Fábio Garcia, afirmou que, apesar de estar descontente com os serviços da CAB Ambiental, que gerencia o sistema de água e esgoto da Capital, não vê a possibilidade de romper contrato com a empresa, em um curto espaço de tempo.
Os vereadores de Cuiabá retornaram do recesso parlamentar nesta terça-feira (4) e, nessa primeira sessão, debateram sobre algumas questões polêmicas, entre elas o reajuste da tarifa de água, na capital. Eles alegaram que o aumento não foi passado pelo crivo da Câmara Municipal, como prevê um projeto de lei aprovado no ano passado pelos parlamentares. Os vereadores entraram de recesso antes do Natal após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) do município. Procurada pelo G1, a CAB Ambiental não se manifestou até o fechamento dessa reportagem sobre a lei que prevê o aval do Legislativo no projeto de reajuste.
Obras de infraestrutrura na capital causaram rompimento em 1,7 mil pontos da rede de abastecimento de água desde 2012. Conforme levantamento da concessionária de água e esgoto, a Companhia de Águas do Brasil (CAB) Cuiabá, 82% dos rompimentos foram motivados por obras executadas pela prefeitura, 16% por projetos executadas pelo governo estadual e 2% por obras de redes privadas e concessionárias de energia e telefonia. Especialistas em engenharia civil avaliam que as interferências poderiam ser evitadas, caso houvesse detalhamento nos projetos com indicações de onde passavam as tubulações.
Alvo de uma Comissão de Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Cuiabá, a Cab Ambiental também lidera o número de reclamações no Procon da capital.
A Prefeitura de Cuiabá lançou edital de chamamento público para empresas que tenham interesse em desenvolver o serviço de gerenciamento de resíduos sólidos da capital. O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), publicado no Diário Oficial Eletrônico de quarta-feira (8), marca o início do processo de Parceria Pública Privada (PPP), conforme lei aprovada no final de 2013 pela Câmara Municipal.