A Ambiental MS Pantanal passou em 2,7% a meta de rede do ano, mas as 3,5 mil ligações domiciliares apenas empataram com o previsto. A empresa não informa quando a cobertura chega aos 98% anunciados.
Rio Verde de Mato Grosso tem hoje cerca de 39% de cobertura de esgotamento sanitário, pouco mais da metade da média de Mato Grosso do Sul, que era de 75,15% em fevereiro deste ano, quando a Sanesul divulgou o balanço do setor. É essa diferença que a obra em andamento no município tenta encurtar: até agosto, a Ambiental MS Pantanal havia implantado 56,5 quilômetros de rede coletora e 3,5 mil ligações domiciliares, segundo a empresa.
A concessionária divulgou os números como superação das metas de 2026. A conta confirma isso pela metade. A previsão para o ano era de 55 quilômetros de rede, e os 56,5 quilômetros informados representam 2,7% a mais. Nas ligações, a previsão era de aproximadamente 3,5 mil, exatamente o número anunciado agora: aí a meta foi cumprida, não superada.
“Superamos a extensão de redes prevista inicialmente para 2026 e avançamos também nas ligações. Agora, o trabalho segue nas estruturas que são fundamentais para que toda essa expansão funcione de forma integrada, segura e eficiente”, disse o diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal, Clayton Bezerra.
O que o material da empresa não traz é a data em que a cobertura sai dos atuais 39% e chega aos 98% prometidos. O texto diz que o índice sobe “com a conclusão das intervenções e a entrada em operação das novas estruturas”, sem prazo. São 59 pontos percentuais entre o que existe e o que foi anunciado. A mesma meta de 98% a empresa anunciou para Caarapó no início de agosto.
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Cinco elevatórias e 864 mil litros por dia
A obra saiu da rua e foi para os equipamentos. Rio Verde recebe cinco estações elevatórias de esgoto, as EEEs, que são conjuntos de bombas para empurrar o esgoto morro acima nos trechos em que o terreno não deixa o efluente correr por gravidade. A estação de tratamento, a ETE, passa por melhorias, e estruturas já existentes também são reformadas.
O ganho de capacidade anunciado é de 10 litros por segundo. Em 24 horas, isso equivale a 864 mil litros de esgoto a mais chegando ao tratamento. A empresa afirma que atenderá diretamente 10,6 mil pessoas. Ao dividir o volume pelas 10,6 mil pessoas, chegamos a cerca de 81 litros por pessoa por dia, faixa compatível com a produção de esgoto de uma casa urbana.
Os dois números anunciados guardam relação entre si: 10,6 mil pessoas para 3,5 mil ligações dão cerca de três moradores por imóvel ligado à rede.
“Quando ampliamos redes, ligações e capacidade de tratamento ao mesmo tempo, criamos condições para que mais moradores tenham acesso efetivo ao serviço”, afirmou Clayton Bezerra.
Rede na rua não é esgoto tratado
A expansão só chega ao morador quando a casa é ligada à rede. Enquanto a ligação não é feita, o esgoto continua na fossa, e o cano assentado na rua não muda nada para quem mora ali. É por isso que rede e ligação aparecem como números separados no balanço da concessionária, e é a ligação, não a extensão de tubos, que define quanta gente passa a ter o serviço.
Do lado ambiental, o efeito esperado é reduzir o lançamento de esgoto sem tratamento no solo e nos cursos de água do município.
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Contrato em 68 cidades, obra em bem menos
A Ambiental MS Pantanal, do grupo Aegea, informa que opera coleta, afastamento e tratamento de esgoto em 68 municípios do interior de Mato Grosso do Sul, e que o grupo está presente em 892 cidades de 15 estados.
O balanço estadual de fevereiro dá outra dimensão ao número: 68 é o total de cidades atendidas pela Sanesul, onde o abastecimento de água já está universalizado, e naquele mês eram 26 os municípios com obra de esgoto em execução pela parceria público-privada com a Ambiental MS Pantanal. O material da empresa não separa o alcance do contrato do número de sistemas em operação, e é esse recorte que define quantos municípios já têm esgoto tratado de fato.
O prazo nacional para a universalização do saneamento é 2033, fixado pelo marco legal do setor. O governo de Mato Grosso do Sul trabalha para antecipá-lo.
Esta matéria utiliza informações distribuídas pela Ambiental MS Pantanal e dados do arquivo de A Crítica.Os materiais consultados não apresentam declarações da Prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso, da Sanesul ou da Agems, agência responsável pela regulação do contrato, sobre o cronograma da obra ou a tarifa de esgoto cobrada dos usuários que passam a ser atendidos pela rede.
Fonte: A crítica