saneamento basico
Tratamento de esgoto avança pouco nas grandes cidades

Tratamento de esgoto avança pouco nas grandes cidades

Os serviços de tratamento de esgoto avançam mais devagar. Em comparação, ficam atrás dos serviços de tratamento de água e de coleta de esgoto.

Além disso, o país está a oito anos do fim do prazo para a universalização desses três atendimentos de saneamento básico. Essa meta está prevista no Marco Legal do Saneamento, publicado em 2020.

Levantamento do Instituto Trata Brasil, elaborado em parceria com a consultoria GO Associados, com dados oficiais de 2024, elenca os cem municípios brasileiros mais populosos por nível de atendimento dos serviços, melhoria do atendimento e nível de eficiência. O material estará disponível no site do instituto.

Do total, 25 prefeituras apresentam índices acima de 80% no tratamento de esgoto. Além disso, sete municípios atingiram o valor máximo. Esses são os mesmos que também alcançaram a universalização da coleta de esgoto.

Por outro lado, a média nacional é de 64,42%. Esse número representa uma queda em relação a 2023, quando o índice era de 65,11%.

De acordo com o estudo, Bauru trata 2,85% do esgoto. Já Várzea Grande trata 2,64% do esgoto coletado. Por fim, São João de Meriti não trata nenhum volume de esgoto, com índice de 0%.

“Os resultados desta edição do ranking mostram que, apesar dos avanços registrados em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado”, destacou a presidente executiva do Trata Brasil, Luana Siewert Pretto.

Tratamento de água e coleta de esgoto

No ranking geral das categorias, estão no topo da lista nove municípios de São Paulo, seis do Paraná, dois de Goiás, dois de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro. Na outra ponta, integram a lista dos 20 municípios mais atrasados quatro municípios do Rio de Janeiro, quatro do Pará e três de Pernambuco.

Para a meta de prover serviços de água a 99% da população, o índice médio atual é de 93,55%. Nesse contexto, 28 municípios já prestam atendimento no nível determinado pelo Marco Legal.

Por outro lado, na pior colocação da lista, a capital de Rondônia, Porto Velho, apresenta o menor percentual de acesso à água potável, com 30,74%. Além disso, o dado representa um retrocesso em relação a 2023, quando o índice era de 35,02%.

Naquela ocasião, o município já ocupava a última posição no ranking, sendo considerado, também à época, o local com o nível mais baixo de atendimento.

De coleta de esgoto, apenas Curitiba (PR), Santo André (SP) e Juiz de Fora (MG) alcançaram cobertura completa de coleta de esgoto, contribuindo para a média de 76,97%, abaixo do nível de 2023, de 77,19%. Já os piores colocados são Porto Velho, prestando serviço a 8,69% da população, Belford Roxo (RJ) atendendo 7,62% das pessoas e Santarém (PA) com coleta de 3,28% de seu esgoto.

Universalização e investimentos

A diferença entre os patamares de serviços pode ser explicada pela falta de investimentos, o que retarda a chegada à universalização. Os 20 municípios com o menor desempenho geral do ranking investem, em média, R$ 77,58 por habitante, sendo 65% inferior ao previsto pelo Plano Nacional de Saneamento Básico para universalizar os serviços até 2033, de R$ 227. O valor é 56% abaixo da média dos municípios com os melhores desempenhos, de R$ 176,17, que também está abaixo da estimativa para a universalização.

Poe fim, na média, mais da metade das cidades investem menos de R$ 100 por habitante. Praia Grande (SP) foi apontada como a que mais investe em saneamento, aplicando R$ 572,87 por habitante, em contraste com Rio Branco (AC), que investe R$ 8,99 per capita. Nos 20 municípios que lideram o ranking de investimentos, o atendimento total de água chega a 99,05%, enquanto nas prefeituras que ocupam as 20 colocações mais baixas o nível de atendimento fica em 83,01%.

Fonte: Agência INFRA


Últimas Notícias:
Certame da Saneago atrai apenas um grupo

Certame da Saneago atrai apenas um grupo

Dois dos três lotes ofertados ficaram sem oferta; problemas na modelagem afastaram grandes investidores. O leilão de Parcerias Público-Privadas (PPPs) da Saneago (estatal de saneamento de Goiás) atraiu o interesse de apenas um grupo, o Consórcio Águas do Cerrado, que entregou proposta para somente um dos três lotes da licitação, apurou o Valor.

Leia mais »
Rede de esgoto avança na Maré e beneficia a Baía de Guanabara

Rede de esgoto avança na Maré e beneficia a Baía de Guanabara

Obras de saneamento, de R$ 120 milhões, vão até o fim de 2027 e incluem tronco coletor de 4,5kms e 18kms de tubulações

O cenário do Complexo da Maré — formado por 16 favelas — está em transformação, com um vaivém de operários e máquinas. Equipes instalam manilhas de até 1,50 metro de diâmetro e escavam poços para avançar nas obras de saneamento iniciadas pela Águas do Rio, que têm como objetivo beneficiar, segundo a concessionária, 200 mil pessoas.

Leia mais »