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Operação Protheus avançará para concessões de água

Um grupo criminoso que desviava recursos públicos de cidades de Mato Grosso é alvo de uma operação da Polícia Federal, realizada nesta quinta-feira (19). De acordo com a PF, a operação ‘Protheus’ tenta prender a quadrilha que desviava os recursos através de fraude de licitações e superfaturamento de preços. A organização criminosa agia há mais de 10 anos no estado.

O nome ‘Protheus’ faz referência ao deus da mitologia grega que tinha o dom da premonição.

Segundo a PF, foram expedidos 19 mandados de busca e apreensão, além de 16 conduções coercitivas nas seguintes cidades: Cuiabá, Rondonópolis (município a 218 km de Cuiabá),Cotriguaçu (920 km da capital) e em Brasília, no Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1º Região. Além de policiais federais, também devem participar da operação auditores Controladoria-Geral da União (CGU).

De acordo com as investigações, a organização causou um prejuízo aos cofres públicos de diversos municípios mato-grossenses, afetando mais de 800 mil moradores que deixaram de receber benefícios de obras paralisadas, abandonadas ou negligenciadas pela quadrilha.

As investigações apontam que a empresa do grupo suspeito teria firmado 34 contratos públicos, totalizando R$ 122 milhões, sendo que apenas nove contratos foram concluídos. Também foram colhidos indícios de que a fraude do grupo criminoso se concentrou em obras de saneamento básico, especialmente as que foram financiadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), no ano de 2012.

Conforme a PF, na fraude, pessoas jurídicas com a ajuda de ‘laranjas’ apresentavam propostas em processos licitatórios para simulares uma competição, no entanto, favoreciam apenas as pessoas ligadas ao mesmo grupo empresarial, que apresentava preços superfaturados.

Somente em 2012 a organização criminosa conseguiu vencer licitações em cinco prefeituras, assinando contratos que ultrapassam o valor de R$ 22,3 milhões. As cidades mato-grossenses onde a empresa venceu as licitações foram em União do Sul, Confresa, Jauru, Nova Guarita eTapurah.

Prefeituras
O G1 conseguiu contato com duas dessas cinco prefeituras onde o grupo investigado teria vencido licitações e seria responsável por obras. O prefeito de União do Sul, Ildo Ribeiro de Medeiros, disse que está reunindo informações sobre a operação da PF, mas afirmou que uma das empresas investigadas tem uma obra na cidade.

“Ela fez obras de encanamento de água em assentamentos do município. Quase 70% da obra foi feita, mas mandamos parar porque mudamos o projeto e fizemos readequação”, disse o prefeito por telefone. De acordo com Medeiros, a obra tem valor de R$ 3 milhões e começou em 2012.

O prefeito de Nova Guarita, Francisco Endler, também confirmou que uma das empresas fez obras na cidade, mas o contrato foi cancelado. As obras também são de saneamento e começaram em 2009. “Tenho duas obras de esgoto e falta pouco para concluir, menos de 10%. Cancelamos o contrato porque [a empresa] não dava continuidade na obra. As obras estão orçadas em R$ 5 milhões”, contou Endler. O prefeito afirmou que deve responsabilizar a empresa pelos prejuízos causados ao município.

A assessoria da Prefeitura de Jauru informou que a empresa citada tinha vencido uma licitação em 2012, na gestão anterior, e que atualmente é investigada em um processo federal. A obra, atualmente parada, é de saneamento básico e passa do valor de R$ 9 milhões. A prefeitura também garantiu que colabora com as investigações.

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