saneamento basico

Sem lei específica, imóvel com reúso de água é raridade em SP

Compradores preocupados em adquirir imóveis em São Paulo com tecnologia capaz de reaproveitar água das pias, do banho ou até mesmo captar a que vem da chuva terão dificuldades. Sem lei específica que obrigue a adoção, imóveis com as tecnologias são raridade.

Entre sete construtoras consultadas pelo G1, quatro (Odebrecht, Cyrela, Even e Tecnisa) lançaram ou entregaram ao menos um empreendimento residencial entre 2013 e 2014 com sistema que permitisse a utilização de águas pluviais ou de reúso. Nenhuma delas divulgou dados comparativos sobre o total de unidades lançadas e o total com esse tipo de tecnologia de captação.

O reúso não é condição para aprovação dos projetos pela Prefeitura de São Paulo e também não está previsto em leis federais ou estaduais. Somente agora, às vésperas da adoção formal de um rodízio, os vereadores da capital paulista aprovaram em primeira discussão, em 5 de fevereiro, o programa IPTU Verde, que prevê descontos de 2% a 6% para as construções que adotarem sistemas de coleta de água da chuva e de reúso.

Até que novas leis obriguem mudanças nos futuros projetos de construtores, as atuais opções são limitadas e se resumem a imóveis de alto padrão localizados em áreas nobres da capital paulista.

‘Reúso? Vamos estar procurando
A equipe de reportagem do G1 entrou em contato com as centrais de vendas e visitou estandes de empreendimentos nas quatro regiões da cidade. A constatação é que a pergunta sobre o reúso de água pegou muitos corretores de surpresa. Por telefone, nenhum dos atendentes das sete centrais de vendas consultadas possuía a informação em mãos.

O advogado especialista em condomínios Márcio Rachkorsky aponta que falta uma norma para que as construtoras já projetem os novos imóveis com a preocupação do uso racional da água. “É preciso alguma norma simples exigindo que, para aprovar a construção de um condomínio, o projeto teria que ter estrutura para captação de água de chuva ou espaço para a coleta seletiva de lixo”, afirma.

A Agência Nacional de Águas (ANA) estabelece apenas critérios gerais para reutilização de água potável, mas a normatização específica para os prédios comerciais e residenciais ainda não existe.

Professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (CIRRA), Ivanildo Hespanhol avalia que o abatimento de imposto para quem optasse pela construção de edifícios sustentáveis pode ser um incentivo. “Nós não temos a cultura do planejamento, temos a cultura de gestão de crise. As medidas que têm sido tomadas nessa crise hídrica até agora são paliativas.”

Os especialistas cobram ação do poder público porque a instalação de sistemas de reúso no momento da construção faz com que o investimento seja menor do que uma reforma posterior.

Sistema de água de reuso instalado no edifício Park One Ibirapuera (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Sistema de água de reuso instalado no edifício Park One Ibirapuera (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

Alto padrão
Dos estandes visitados pelo G1, a maioria dos que afirmaram ter sistema de reúso se limita à captação da água da chuva. Três iniciativas da Cyrela (em Moema, Brooklyn e Chácara Klabin) estimulam a economia de água pela adoção de medição individualizada, pelo reúio da chuva para irrigação de jardim e uso de temporizadores nos banhos das áreas sociais.

Também foi o caso do condomínio Biografia Vila Mariana, da Odebrecht, que tem quase cinco mil metros quadrados. A água da chuva será utilizada na irrigação das plantas e na limpeza de áreas comuns do edifício, com entrega programada para 2015.

Três dos seis imóveis lançados ou vendidos pela da Odebrecht Realizações Imobiliárias entre 2013 e 2014 possuem sistemas para reutilização ou captação de água da chuva. O diretor de Construção da construtora, Ricardo Toscani, conta que as iniciativas até o momento são mais comuns em empreendimentos corporativos, embora ele acredite que a crise hídrica tenha chamado a atenção dos consumidores residenciais.

“Acredito que se tornará uma tendência em empreendimentos residenciais também porque passou-se a ter essa preocupação com a economia de água”, afirma. “Hoje já se consegue detectar uma maior procura [de imóveis com esse perfil] porque, além do apelo ambiental, o comprador pode ter um retorno financeiro. A reutilização da água reduz muito o valor da conta no final do mês.”

Para Toscani, a baixa oferta de prédios mais simples com sistema de reuso de água não tem uma relação direta com o valor do investimento para a instalação. “O custo total não é tão expressivo. O sistema é viável em qualquer condomínio. Tivemos um incremento de R$ 40 mil para a instalação do sistema em um prédio de 50 apartamentos”, contou.

No imóvel mencionado, o Park One Ibirapuera, no bairro nobre da Zona Sul, a construtora instalou, além do sistema de reuso de águas pluviais, um encanamento e um sistema de tratamento da água descartada nos boxes e nas pias.

Águas cinzas
Conhecidas como águas cinzas, elas passam por uma verdadeira estação de tratamento com tanque decantador, filtros e tanques de acumulação e alimentação de com capacidade de 7m³. Depois deste processo, a água não fica potável, mas pode ser utilizada para limpeza em áreas comuns.

(veja ao lado vídeo do blog Como economizar água que mostra com funciona o sistema em prédio lançado em 2006 pela Setin)

A construtora estima que o condomínio terá um retorno de todo o investimento feito – a implantação e a manutenção – em entre 3,5 e 4 anos. Ele destaca ainda que, mesmo com a tecnologia implantada, cabe ao condomínio colocar em prática o sistema disponível. No início, está prevista a operação assistida. Após a instalação do sistema, a água passa por análise para se certificar de que está em condições para consumo.

Consultada pelo G1, uma empresa especializada na instalação de sistemas de captação afirma que o número de condomínios prontos que buscam readaptar sua infraestrutura cresceu muito com a crise hídrica.

O projeto, os equipamentos e a instalação custa entre R$ 18 mil e R$ 32 mil, sem contar as obras que precisam ser feitas para adaptar o imóvel para o sistema. É possível encontrar a preços mais baixos, mas os projetos mais em conta não possuem o sistema necessário para tratar a água, colocando em risco os moradores.

Fonte e Agradecimentos pelo envio da matéria: PORTAL G1

 

Últimas Notícias:
Cagece assina termo para iniciar obras de usina de dessalinização

Cagece assina termo para iniciar obras de usina de dessalinização

A Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) assinou, na quinta-feira (16 de julho), o termo de autorização para o início imediato das obras da Dessal do Ceará. A usina será a maior planta de dessalinização do país. Terá capacidade projetada de 1 metro cúbico por segundo, o equivalente a mil litros de água dessalinizada por segundo.

Leia mais »
ANA realiza ciclo de oficinas sobre implementação da reforma tributária no setor de saneamento básico

ANA realiza ciclo de oficinas sobre implementação da reforma tributária no setor de saneamento básico

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) promoverá, a partir de 22 de julho, um ciclo de oficinas voltado à implementação da reforma tributária no setor de saneamento básico. A iniciativa tem como objetivo orientar as entidades reguladoras infranacionais (ERIs) sobre as mudanças introduzidas pela reforma tributária e seus impactos na regulação dos serviços.

Leia mais »
Desenvolvimento também nasce do que a sociedade descarta

Desenvolvimento também nasce do que a sociedade descarta

Há um dado que merece nossa profunda reflexão: o Brasil recicla apenas 2,2% dos resíduos sólidos urbanos que produz. Menos de 3% de tudo o que consumimos e descartamos retorna à cadeia produtiva. O número impressiona e revela quanto o país ainda desperdiça uma oportunidade de gerar emprego, renda, reduzir gastos públicos e preservar o meio ambiente.

Leia mais »