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Relatório aponta capacidade de abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050, desde que captação mude

Relatório aponta capacidade de abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050, desde que captação mude

Estudo aponta que o manancial subterrâneo pode continuar abastecendo a cidade, desde que o município redistribua a captação, reduza as perdas e diminua a retirada de água nas áreas mais pressionadas.

O Aquífero Guarani tem capacidade para continuar abastecendo Ribeirão Preto (SP) até 2050, mas a cidade precisa mudar a forma como retira e distribui a água subterrânea para evitar o agravamento dos rebaixamentos nas áreas mais pressionadas, segundo relatório técnico finalizado em abril de 2026 e divulgado na última terça-feira (8).

A Tritium Geologia e Meio Ambiente elaborou o estudo “Sistema Aquífero Guarani: capacidade máxima, resiliência e sustentabilidade para o abastecimento público e privado de Ribeirão Preto” para a Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp).

O relatório consolida dados levantados entre 2024 e 2026, incluindo banco de poços, monitoramento, modelo hidrogeológico 3D e simulações sobre o comportamento do aquífero.

A principal conclusão é que o manancial subterrâneo segue viável para abastecer a cidade, desde que a gestão planeje, monitore e redistribua a exploração. O estudo estima em cerca de 9 mil litros por segundo a capacidade máxima recomendada de uso.

O Aquífero Guarani abastece integralmente Ribeirão Preto com suas águas subterrâneas. Ele é uma das maiores reservas de água doce do mundo.

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Por que a captação precisa mudar?

O relatório aponta que a região central de Ribeirão Preto concentra, historicamente, uso intensivo do Aquífero Guarani. Ademais, segundo o estudo, essa pressão provoca queda no nível ou na pressão da água subterrânea, além de redução de vazão, aumento de custos operacionais e perda de poços.

Nas simulações realizadas para o estudo, manter o modelo atual de uso do aquífero até 2050 indica um agravamento dos rebaixamentos.

Já os cenários com redução das retiradas nas zonas centrais e redistribuição das captações para regiões periféricas mostram menor impacto sobre o sistema.

O relatório recomenda buscar a redução de 2 m³/s nos bombeamentos atualmente existentes nas zonas centrais até 2035. Fora dessas áreas, o estudo propõe que novas outorgas adotem como referência uma taxa média de 1.000 m³/dia/km².

O que acontece se nada for feito

Segundo o relatório, manter o padrão atual de captação tende a aprofundar o cone de rebaixamento, nome dado à área onde a retirada de água subterrânea reduz os níveis do aquífero.

No “Cenário 1”, que replica o modelo atual de uso até 2050, o rebaixamento adicional chega a mais de 50 metros em partes das zonas centrais. No “Cenário 3,” que prevê uma operação mais distribuída, o rebaixamento não ultrapassa 40 metros.

Ademais, a comparação entre os cenários mostra diferença de 20 metros no centro do cone de rebaixamento em 25 anos, o que representa uma atenuação média de 0,8 metro por ano no cenário com mudança de operação.

O rebaixamento citado no relatório se refere à água subterrânea. O documento não aponta risco de afundamento da superfície urbana.

Quais medidas são recomendadas?

O programa de operação indicado no relatório prevê reduzir as vazões captadas nas zonas centrais. Também prevê limitar o funcionamento dos poços a, no máximo, 20 horas por dia. Além disso, propõe avançar na setorização do sistema de abastecimento.

O estudo também recomenda a implantação de reservatórios setoriais até 2035. A proposta inclui a transição do modelo em que a água captada é injetada diretamente na rede. O objetivo é adotar o formato “captação por poços → reservatório → rede de distribuição”.

Outra medida é reduzir perdas na rede. No planejamento específico das operações da Saerp, o relatório cita uma redução de vazão na ordem de 1 m³/s nas zonas centrais. Também prevê uma redução de perdas correspondente a 1 m³/s até 2035.

O documento também prevê a implantação gradual de campos de poços no setor sul do município. A medida será implementada de forma modular. Ela integra uma estratégia para captar água fora das áreas mais pressionadas.

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E o Rio Pardo?

Ademais, o relatório não descarta o Rio Pardo. No entanto, considera a alternativa para um horizonte posterior ao planejamento até 2050.

Segundo o documento, a equipe poderá avaliar fontes alternativas, como o Rio Pardo, para ampliar a oferta em cenários de demanda superior a 9 m³/s. As projeções usadas no estudo indicam que esse cenário ocorreria após 2050.

Em 2024, o g1 mostrou que Ribeirão Preto planejava usar o Rio Pardo como fonte alternativa de consumo. Na época, o município também avaliava as condições do Aquífero Guarani. O projeto buscava reduzir a pressão sobre o manancial subterrâneo.

Por fim, pelo novo relatório, o Guarani continuará como fonte central para o abastecimento da cidade até 2050. Para isso, será necessário implementar as medidas de gestão previstas.

Fonte: G1

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